Arne Naess (1912 – 2009)

Nenhum objeto natural é apenas um recurso.

“A Terra não pertence aos homens.“ [Arne Naess]

A restauração da paz após a II Guerra Mundial e a crescente capacidade produtiva e intelectual do homem levou muitos pensadores a discutir políticas que buscariam alinhar o progresso ao bem-estar da população. Contudo uma nova variável foi adicionada na década de 60, onde ecologistas como Arne Naess mostraram que impactos ambientais podem ser mais desastrosos do que se poderia imaginar.

Apesar de já no século XIX existir uma preocupação com o rápido avanço do homem diante da natureza no consumo de recursos, foi apenas em 1960 que a bióloga Rachel Corson publicou sua obra A Primavera Silenciosa onde através de um trabalho científico mostrou o prejuízo ecológico causado pelos pesticidas industriais.

Influenciado por Corson, Arne Naess em 1970 criou uma filosofia política que tirou o homem da posição de dono da Terra, colocando-o numa posição de mero elemento do ecossistema e que portanto, deveria viver com igualdade em relação a qualquer outro componente da natureza.

Cunhou os termos ecologia rasa e ecologia profunda, onde a primeira seria uma política que que melhoraria a interação do homem com a natureza através de mudanças superficiais no modelo de vida, enquanto a segunda via uma revolução onde o homem se submeteria a natureza.

Naess sempre deixou claro a desconfiança quanto a políticas de ecologia rasa, pois creditando ao homem o domínio sobre a natureza não se considerava as necessidades de consumo e limitação de conhecimento que acabariam por acelerar os danos ecológicos; defendia portanto uma submissão à natureza que preservasse a vida.

Arne Naess engajou-se em ativismo ecológico onde defendia a redução do consumo nos países mais desenvolvidos, e apesar de não acreditar na abordagem de que recursos naturais poderiam ser utilizados e consumidos para garantir certa estabilidade no modelo de vida atual da sociedade, tinha uma perspectiva de mudança e foi contra o fundamentalismo ecológico. Mesmo assim serviu como inspiração para o surgimento de vários grupos como o Earth First ou Greenpeaceque pregam a desobediência civil e até sabotagem para alcançar fins políticos.

Partidos verdes conseguiram seu lugar político no legislativo e executivo de vários países no mundo e transformaram o debate ecológico num problema mundial. Críticos o acusam de levar a discussão a um certo misticismo já que muitos não possuem dados factuais, independentemente, o que se percebe é um aumento cada vez maior de indivíduos interessados no assunto bem como uma participação mais engajada dos cidadãos.

Apesar de cada vez maior a quantidade de pessoas interessadas em conviver harmoniosamente com a natureza, grande parte da decisão de consumo ou não dos recursos estão concentrados na mão de grandes corporações e governos. Talvez a moda do “ecologicamente correto”, onde empresas podem cobrar mais por produtos “honestos” possa trazer mais força para o movimento, inclusive arrastando as grandes corporações e consequentemente os governos.

Contudo uma redução do consumo e menor exploração dos recursos naturais certamente exigirá uma contrapartida, e o enfraquecimento econômico é a primeira delas; será que uma sociedade que mal consegue colocar o lixo no lixo e não respeita nem o próximo pode ser capaz de conviver com uma forma de vida mais restrita e abrir mão do atual estilo de vida? Talvez a batalha ecológica deve começar por uma tarefa simples de vislumbrar e difícil de realizar, tentemos evitar o desperdício.

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