Edmund Burke (1729 – 1797)

As paixões individuais devem ser subjugadas.

“Aqueles que não conhecem a história, estão fadados a repeti-la.“ [Burke]

        O forno do qual sairia a Revolução Francesa estava pré-aquecido enquanto o irlandês Edmund Burke preparava sua crítica aberta aos insurgentes franceses. Sugeriu que grupos ou indivíduos apaixonados não poderia ser utilizado com relevância no julgamento de políticos, e apesar de admitir o espirito guerreiro do revolucionário francês se chocou com a ferocidade da Marcha de Versalhes que forçou à volta do Rei Luís XVI à Paris.

        Rotulado como whig, ou político que defende um progresso gradual da sociedade, Burke defendeu a emancipação católica na Irlanda e Índia e até mesmo a liberdade comercial defendida pelas colônias norte americanas. Contudo era avesso a uma interrupção negativa de um governo. Na concepção de Burke o modelo político vigente possui passado, presente e futuro e está enraizado em vários setores da nação e portanto, não pode ser aniquilado totalmente como queriam os franceses em sua marcha revolucionária; para o autor acreditar na possibilidade em jogar o velho fora e começar tudo de novo e melhor é um sinal de presunção e arrogância.

        Árduo crítico do Iluminismo, o considerou por de mais abstrato e pouco prático pois concebeu um modelo político onde o homem não pode ser juiz de sua própria causa, e que de nada adiantariam uma formulação de leis emanadas do povo para garantir direitos que não fossem possíveis ser alcançados. 

        O trabalho a ser cobrado do governo seria então, o de definir métodos que amparem a obtenção e gestão dos direitos que devem aos poucos serem garantidos. Alertou que uma destruição total do poder criaria um vácuo que inevitavelmente levaria os cidadãos a disputas sangrentas e horríveis por este poder, e que o estado de caos só seria reorganizado através da instauração de um governo militar. 

        Defendeu a estabilidade política através de uma aristocracia que deveria limitar os abusos excessivos dos soberanos, pois o equilíbrio do poder requer pessoas com dinheiro e habilidades políticas; foi também contra a redistribuição de terras alegando que dar pouco para muitos levaria a um resultado de ganhos menores. 

        Por ter previsto o surgimento de um governo militar pós Revolução Francesa, o que de fato ocorreu com Napoleão subindo ao trono, suas ideias são resgatadas por historiadores sempre que surgem rebeliões ou insurreições, como um lembrete da autocracia militar que pode vir a sucedê-las. Contudo a defesa da desigualdade o levou a ser bombardeado por críticas, entre elas a de alimentar falso menosprezo pela tradição ao proteger a manutenção de um sistema político que coloca a sociedade em estado de servidão, além de suprir o desejo individual submetendo o indivíduo ao poder repressivo do Estado.

        Apesar de ter se mostrado incoerente quanto ao futuro do Iluminismo e provocar uma campanha de medo quanto a incerteza do futuro e a capacidade de uma sociedade se reescrever, a opinião expressa por Edmund Burke deixa claro as duas faces de uma moeda denominada revolução. 

        A primeira é que em tempos de mudanças, apenas os poucos que possuem posses são amedrontados pela possibilidade da perda; a segunda é que numa sociedade despreparada e centralizada qualquer vácuo de poder pode resultar em guerras civis e intervenções militares. Fica o relato histórico onde na incerteza quanto aos resultados do caminho a ser tomado, estando com os pés fincados em terra firme, é mais prudente prosseguir em passos curtos.

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