Friedrich Hayek (1899 – 1992)

O maior mal é um governo sem limite.

“Uma reivindicação por igualdade material só pode ser satisfeita por um governo com poderes totalitários.“ [Friedrich Hayek]

“Um governo grande o suficiente para lhe dar tudo o que você quer é forte o suficiente para tirar tudo o que você tem”. [Friedrich Hayek]

        Num mundo pós guerra, cujo keynesianismo dominava totalmente a política econômica de todas as potências mundiais, foi que Friedrich Hayek publicou em 1960 sua obra A Constituição da Liberdade, onde mostrou que acreditar no mercado livre não era um pensamento conservador e montou um arcabouço que permitiu a líderes mundiais justificar uma intervenção menor do Estado na economia.

        O debate Hayek vs Keynes se deu início com a Grande Depressão em 1929, enquanto Hayek a encarou como um ciclo natural, Keynes alertou para a necessidade de uma intervenção estatal que conseguisse reverter o ciclo danoso. 

        Apesar das ideias de Keynes terem sido adotadas, Hayek continuou seus estudos onde destacou que um planejamento centralizado jamais poderia atender uma nação, o fato simples consistia na dificuldade em se obter dados que permitisse modelar adequadamente as interações econômicas, seria necessário portanto dar liberdade ao mercado, para que este de forma descentralizada e mais próximo a real necessidade do consumidor conseguisse atender as leis das ofertas e demandas gerando o equilíbrio necessário.

        Hayek alertou para a existência de uma economia com forte controle estatal, pois ao permitir o governo controlar a economia entregamos também, mesmo que indiretamente, o controle de nossas próprias vidas. Argumentou que ao deixar o planejamento econômico para tecnocratas estamos consentindo com o totalitarismo e consequentemente extinguindo a democracia; em sua concepção um Estado socialista era em sua essência o mesmo que um estado nazista.

        Apesar de defensor de um mercado livre, Hayek não defendia uma inexistência do governo, este deveria manter o estado de direito e prover um arcabouço para que o indivíduo se desenvolva cada vez menos sem a intervenção do próprio Estado. Foi crítico do termo justiça social, pois o mercado é o que é, e não faria sentido portanto, classifica-lo como justo ou injusto. 

        Condenou políticas de impostos sobre grandes riquezas e colocou como responsabilidade do Estado a proteção dos bens que poderiam ser ameaçados por atos de desespero dos necessitados. Devido ao avanço econômico que se percebeu nas décadas de 50 e 60 através da intervenção do Estado, Hayek nunca fora considerado um grande pensador, até que o choque do petróleo em 1970 afetou diversas nações e sua condecoração com o Prêmio Nobel de economia em 1974 o colocou na lista de “imortais”. 

        Contudo foi apenas na década de 1980, quando EUA e Inglaterra respectivamente dirigidos por Reagan e Thatcher que suas teorias foram colocadas em práticas influenciando diversas outras nações no globo.

        As críticas à Hayek se devem principalmente pela necessidade da intervenção governamental para consolidar políticas de bem-estar social já que o mercado comprovadamente não se responsabiliza por tal; sua doutrina de choquebaseada na desregulamentação do mercado, privatizações e possibilidade de alto desemprego também não atraem muitos simpatizantes.

        No entanto, as críticas mais duras estão na sua associação às ditaduras, principalmente na América Latina; onde argumentou que apenas prestava orientações e consultorias econômicas. Economistas com orientação de esquerda também o criticam por ignorar o capitalismo selvagem que durante século XIX até a Grande Depressão de 1929 trouxe grande miséria e aumentou dramaticamente a diferença entre ricos e pobres.

        É fato que houveram duas épocas nos EUA de grande desregulamentação do mercado, e que ambas acabaram em grandes recessões que afetaram toda a economia mundial; em ambos os casos as contas foram repassadas ao governo e portanto sustentadas por todos os contribuintes. É conhecido também, que as leis da oferta e demanda não possuem força o suficiente para equilibrar o mercado, a força da propaganda e a concentração de conglomerados comerciais nas mãos de poucos facilitou não só gerar demandas mas também inflar preços através de monopólios ou oligopólios. 

        Contudo, tais fatos não inviabiliza o alerta de Hayek quanto a existência de um estado totalitário e centralizado que pode causar grandes injustiças além de se tornar um modelo inapropriado para gerenciar a complexidade existente no mundo atual. Atualmente, sociedades de todo o mundo buscam o equilíbrio entre libertar o mercado para produzir riquezas e utilizar o Estado para distribui-la e formar um estado de bem-estar.

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