Friedrich Nietzche (1844 – 1900)

A vontade de poder.

“O que não nos mata nos torna forte.“ [Nietzsche]

“Existe mais sabedoria no seu corpo do que na mais profunda filosfia.” [Nietzsche]

        Num mundo onde as virtudes e a busca por algo maior dominaram todo o pensamento político, social e econômico por quase dois mil anos, nasceu o pensador Friedrich Nietzsche que atacou qualquer tentativa de se encontrar um sentido maior para a vida.

        Sua perspectiva da vontade de poder onde a necessidade de conquistar objetivos mais elevados na vida é o que mais fortemente move o homem, até mais que seu medo de morrer ou sua vontade de sobreviver; fez com que enxergasse como única forma de se ter uma vida digna, a disposição de se lançar e arriscar integralmente para alcançar os próprios objetivos.
 
        Atacou o contentamento defendido na sociedade, classificando-o como um pensamento burguês de quem atingiu uma vida mediana mas na verdade era um completo ignorante. O homem na visão de Nietzsche não deveria ser passivo e portanto, tomar as rédeas de sua própria vida; não ousou descrever o que deveria ser perseguido senão a própria superação, contudo deixou claro o que deveria ser evitado: a moralidade artificialmente inventada e a adoração de um Deus criado a partir de nossas próprias inadequações.
 
        A crítica de Nietzsche a moralidade foi ainda mais tremenda, apontou-a como uma herança das preferências aristocráticas que viveram na Grécia antiga; onde senhores criaram virtudes que lhe convinham como a de viver em riqueza ou alcança-la através do trabalho árduo. Acusou este pensamento de ser apenas um artificio que permitiria a sociedade seguir seu caminho passivamente em ódio ou ressentimento entre as classes. 
 
        Seu conceito de superação seria portanto o Super-Homem, este consistia não do homem que chegou no auge de sua evolução biológica ou aquele que tivesse um comportamento semelhante de uma divindade, e sim o homem capaz de tornar senhor de si mesmo mantendo sua fidelidade apenas à terra e que seria capaz de rejeitar qualquer verdade que lhe fosse imposta.
 
        Nietzsche não escreveu livros políticos ou de organização social, contudo sua crítica a estruturação da sociedade influenciou diversos políticos, foi classificado como um filósofo cujas discussões transcendia a bipolarização política entre esquerda e direita; o que foi capaz de levar ambos partidários a refletir sobre os sistemas de dominação e suas respectivas teorias de liberação. 
 
        Apesar de acusado de fascista ou até mesmo nazistas (o que não faz sentido pois morreu em 1900 bem antes da criação do partido), Nietzsche deixou claro em alguns de seus manuscritos que nacionalistas nada mais eram que um grupo de derrotados que se reuniam para colocar a culpa em terceiros covardemente; também terminou uma amizade de longa data com seu amigo Richard Wagner por considerá-lo por demais racista. Muitos alegam que esta percepção errônea do filósofo se deveu principalmente a mudanças feitas em suas obras por sua irmã que buscava conseguir o apoio em círculos alemães nacionalistas e antissemitas.
 
        Nietzsche talvez tenha sido o filósofo mais libertário, contudo não acredito que seria possível seguir na íntegra seus conselhos; como seria nossa sociedade se nos transformassem todos em leões ferozes por alcançar nossas próprias conquistas? Muito provavelmente passaríamos mais tempo nos enfrentando do que construindo um mundo mais adequado para que todos possam desfrutar parcialmente de seus desejos. 
 
        Não se pode negar que o homem deve se superar, e que a sociedade atual ao restringir a liberdade seja através de leis, dos bons costumes ou da moral cria uma barreira que nos limita a criatividade e atrasa nossa evolução. Ao concentrarmos as conquistas em poucos indivíduos colocamos a própria espécie em posição de fragilidade, contudo, é muito provável que Nietzsche não enxergava grandeza alguma numa eternidade indigna.

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