George Hegel (1770 – 1831)

O escravo sente a auto existência como algo externo.

“Se um homem é um escravo, sua própria vontade é responsável por sua condição… O erro da escravidão não está nos que escravizam ou conquistam, mas nos próprios escravos e conquistados.“ [George Hegel]

Enquanto o mundo discutia o futuro político de diversas nações baseados nas novas concepções do Iluminismo e Napoleão Bonaparte iniciava uma ofensiva em toda a Europa como novo soberano e Imperador Francês, George Hegel, um filósofo alemão publicou sua obra Fenomenologia da Mente, onde buscou explanar a essência da consciência humana.

Apesar de não abordar diretamente a política, sua concepção da consciência Senhor-Escravo foi materializada nas relações sociais humanas fortemente moldados pelo sistema político vigente qualquer que fosse ele.

Sua teoria se iniciou justificando que para toda consciência existir em plenitude é necessário um processo social iterativo onde existem outras consciências reagindo a ela. Uma consciência isolada, apesar de passível de existência não poderia alcançar a plenitude ou ter certeza de si mesmo sem o confronto e ciência da existência de uma outra qualquer.

Neste encontro de consciência onde pode ocorrer a existência de visões distintas sobre o mundo, gera-se um conflito onde uma consciência apenas irá prosperar; contudo a consciência derrotada não é destruída chegando ao seu fim, já que neste caso a outra consciência se viria isolada e restrita.

Surgiria então o que Hegel chamou de relação Senhor-Escravo onde uma consciência se rende a outra, ou seja, a consciência prefere a vida à liberdade e se torna escrava ao invés de morrer; sua sugestão foi confirmada pelos relatos do escravo americano Frederick Douglas que redigiu a sentença “posso continuar sendo escravo na prática, mas passou para sempre os tempos em que serei escravo de fato”, onde fez uma alusão ao fato de que conscientemente não se sujeitaria à escravidão.

A dialética de Hegel, era em suma isso, o encontro das consciências com pensamentos distintos, tese e antítese, que gerariam uma síntese denominada de relação Senhor-Escravo. Ressaltou que este embate não precisa ser físico e que a síntese não significa necessariamente uma escravidão perpétua, pois o senhor ao depender do escravo pode gerar uma nova dialética – por exemplo depender deste para cultivar e ser alimentado – e neste trabalho externo à relação Senhor-Escravo de cultivo o escravopoderia alcançar a sua liberdade.

Enquanto a liberação não ocorresse, o escravo se agarraria a ideologias escravas pré-existentes que o levem ao estoicismo ou estado de mente que justifique sua situação, ao ceticismo na qual se dúvida da própria liberdade, e a consciência infeliz onde se cria um meio de fuga em outra esfera como por exemplo a religião. Por fim, afirmou que a dialética era formada perpetuamente num resultado Senhor-Escravo que nunca seria resolvida.

Hegel influenciou pensadores como Karl Marx, que por achar sua teoria muito abstrata trouxe-a para uma percepção mais materialista, no que ficou conhecido como materialismo dialético. Hegel foi criticado por eximir o senhor da brutalidade e dor física que são impostos aos escravos ou conquistados, além de ter sido considerado um filósofo difícil de interpretar além de controverso.

Quando aprendi a teoria de Hegel, a primeira coisa que veio a minha mente foi uma frase de José Saramago onde colocou: “Deus não precisa do homem para nada, exceto para ser Deus, cada homem que morre é um pouco de Deus que se vai, quando todos homens morrer Ele não mais ressuscitará”.

A perspectiva de que o homem criou o Estado para lhe servir, contudo sua dependência reverteu a situação tornando o homem servidor daqueles que possuem influência direta no Estado me leva a crer que a relação Senhor-Escravo se aplica também a relação Estado-Cidadão; se toda população acabar o Estado não mais existirá.

Uma visão mais positiva que o fim da humanidade, talvez consiste na população encontrar um meio externo que permitam aos indivíduos se relacionar de forma positiva sem o intermédio do estado; neste modelo o estado também perderia sua importância e a essência de existir como um Senhor.

Muito provável a queda de um Estado contemporâneo poderia trazer regresso a uma forma política menos interessante, mas uma população madura socialmente talvez pudesse se reorganizar de forma diferente para que suportasse os problemas existentes e claro, se dar a oportunidade de prosseguir para o próximo desafio dialético.

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