Henry David Thoreau (1817 – 1862)

O melhor governo é aquele que não governa.

 “A desobediência é a verdadeira essência da liberdade. Os obedientes são escravos”. [Henry Thoreau]

        Enquanto a Europa admirava a democracia da república norte americana, e seus líderes se vangloriavam por ter criado os fundamentos para um novo mundo; Henry David Thoreau indignado com os desmandos governamentais, principalmente a reafirmação da escravidão, publicou seu ensaio Desobediência Civil.

        Para o filósofo, apenas o fato de legalizar a escravidão do homem era uma justificativa o suficiente para se considerar ilegítimo o governo estadunidense; condenou as guerras contra o México, alegando que estas eram apenas um modelo para expansão de modelo escravocrata para outras áreas do globo.

 
        Responsabilizou os homens passivos que silenciosamente concordavam com as injustiças propagadas pelo governo, argumentou que não apenas os senhores dos escravos são culpados mas todo cidadão que a eles não se opunham e que deste modo davam legitimidade aos seus comportamentos. 
 
        Cobrava ativismo dos cidadãos não apenas em suas desaprovações durante as eleições, mas instigando a sociedade a não cooperar com o estado, inclusive deixando de pagar seus impostos. Resumiu seu pensamento afirmando que o melhor governo é aquele que não governa e deixa seus cidadãos em paz, pois é da engenhosidade da sociedade que vem a concepção de uma nação grandiosa e não de seus políticos.
 
        Thoreau chegou a ser preso por negar-se a pagar seus impostos e mais tarde optou por refugiar-se da sociedade e viver isoladamente mais próximos e em contato com a natureza; neste período redigiu sua obra Waden. Seus pensamentos influenciaram diversos ativistas como Martin Luther King durante a luta pelos direitos humanos nos EUA em 1960 bem como as lutas de Gandhi pela criação do Estado Indiano.
 
        Uma espiada mais detalhada nos movimentos iniciados por Martin Luther King mostra a dificuldade em sofrer silenciosamente durante anos, um dia após o outro; contudo não se pode negar o poder da desobediência civil diante de um Estado que não possui mecanismos para aprisionar uma grande massa da população; mais difícil ainda é aprisionar aqueles que trabalham e sustentam diariamente a produção e riqueza de uma nação. 
 
        Comum também o comportamento passivo ao observar injustiças que não trazem um impacto direto sob as próprias vidas, válido lembrar do poema E Não Sobrou Ninguém influenciado por Vladimir Maiakovski e adaptado por Bertolt Brecht para descrever a passividade do cidadão diante da injustiça:

Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isso, eu não era nego. Em seguida levaram os operários, mas eu não me importei com isso, eu também não era operário. Depois prenderam os miseráveis, mas não me importei com isso, porque não sou miserável. Depois agarram uns desempregados, mas como eu tenho emprego, também não me importei. Agora estão me levando, mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa comigo.

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