Ibn Khaldun (1332 – 1406)

O governo evita a injustiça, menos a que ele mesmo comete.

 “Quando uma nação se torna vítima de uma derrota psicológica, isso marca o início de seu fim.” [Khaldun]

        Nascido em uma família politicamente ativa, vivenciou nos diversos cargos públicos que assumiu, o nascer e a morte de diversos governos e estados; analisou então de forma histórica, sociológica e econômica a ascensão e queda das instituições políticas. Ibn Kaldhun, assim como Aristóteles acreditava na existência de um espírito comunitário inato que levava o Homem a viver em comunidade, sendo esta coesão social a maior formadora de Estados cujo maior propósito seria defender e manter o bem-estar de seus cidadãos.

        Notou que independentemente da forma de governo adotada, um governo tende a crescer colocando-se à frente de seus cidadãos; ao priorizar a si mesmo comete-se um excesso de injustiça que leva o governo a decadência e é consequentemente substituído por um outro modelo que surge. 

        Khaldun alertou para a existência de uma elite poderosa na formação de um governo, pois esta catalisa as exigências para si culminando numa maior arrecadação de impostos para se auto sustentar ao invés de aplicar os recursos de modo a melhorar a manutenção e coesão da comunidade. Com o aumento da taxação percebe-se um desencorajamento na elevação da produção, resultando num efeito contrário que gera menos arrecadação de impostos.

        Foi responsável também por definir teorias de divisão do trabalho, além de formas coerentes para se medir o valor de um trabalho, todos pensamentos publicados séculos antes das teorias econômicas ocidentais que conhecemos hoje. Sua teoria do balanço entre taxação e arrecadação só fora detalhada no século XX pelo economista americano Arthur Laffer e da divisão do trabalho por Smith no século XVIII. 

        Apesar de encarar como inevitável o ciclo de ascensão e declínio dos governos via a política como essencial; exaltou o modelo Monárquico Religioso onde um soberano forte poderia não só garantir a justiça mas também utilizar da credulidade do povo para garantir uma maior coesão social. Por acreditar ser impossível alcançar uma justiça verdadeira num modelo onde homens representando o estado recebem poder para julgar seus pares, recomendou combater este mal inerente através da maior redução possível do poder do Estado.

        Apesar de defensor de uma Monarquia Religiosa, Khaldun foi talvez o primeiro pensador a perceber no Estado não um papel central, mas o de agente mutável cujo propósito é a manutenção da justiça; suas ideias lançaram as sementes para modelos políticos que reduziram a importância do Estado como o Comunismo ou o Livre Mercado. Com a falha do Socialismo na Rússia e a adoção do Neoliberalismo pelas nações mais potentes é comum o debate sobre o limite do poder do Estado para garantir o bom funcionamento do mercado. 

        Outro ponto de debate incessante está na necessidade na redução dos impostos; infelizmente o que se percebe comumente é um apelo para se reduzir a taxação nos meios de produção, sempre com a falsa alegação que esta resultará na geração de mais empregos. 

        No longo prazo nenhuma redução de impostos ou investimento demasiado do Estado pode garantir a contratação de trabalho e aumento de emprego, pois é inerente do nosso sistema o aumento da lucratividade atingido principalmente pelo ganho de produtividade e redução dos custos de trabalho. Se existe um consenso quanto a necessidade em se reduzir a arrecadação, que eliminemos os impactos desta na classe consumidora, esta sim a única responsável pela geração de empregos.

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