Jean Bodin (1529 – 1596)

A soberania é o poder absoluto e perpétuo de uma comunidade.

“O príncipe soberano presta contas somente a Deus.“ [Bodin]

        Durante o período de 1562 a 1598, a França viveu oito grandes conflitos religiosos envolvendo católicos e protestantes, no que ficou conhecido como Guerras Religiosas. Foi neste contexto histórico que Bodin percebeu os poucos benefícios e a desordem trazidas por disputas internas e guerras civis que deixaram a França em anos de decadência.

        Bodin argumentou que um poder soberano, absoluto e perpétuo é efetivo ao criar líderes que estão sob todas as leis e não presta contas a ninguém, nascia então a Monarquia Absolutista, onde mandatos reais eram garantidos por direito divino cabendo aos reis promover a prosperidade prestando contas somente a Deus. 

        Defendendo uma posição contrária que emergia na época, atacou a necessidade de um contrato social entre governantes e súditos ou até mesmo um poder concedido por uma aristocracia ou população, e apesar de contrário a democracia, não aprovava um comportamento maquiavélico do soberano. Era obrigação deste utilizar seus poderes limitando-se apenas as leis naturais para garantir o bem-estar, progresso e coesão da nação.

        Sua visão de soberania de uma nação influenciou o tratado de Westfália que garantiu não apenas modelos para a relação internacional entre nações que recém formavam-se na Europa, mas também influenciou muitos dos tratados hoje existentes que garantem a soberania interna de uma nação ao tratar seus problemas domésticos.

 
        É comum ver em filmes ou documentários épicos a figura de um Rei gordo, desrespeitoso e fanfarrão, cujo comportamento o coloca acima de tudo e a todos. Sendo fato também a existência de príncipes jovens, cuja ingenuidade e fragilidade eram ignoradas para que fosse garantido um acesso estável ao trono. Como uma população pobre e medíocre e até mesmo uma classe Aristocrática rica e intelectualizada poderia suportar tal regime de poder? 
 
        Talvez a resposta estivesse no consenso político da importância de um soberano de poderes ilimitados capaz de manter estável uma população habituada a enfrentar seus problemas através da carnificina e selvageria. 
 
        Em pesquisa de 2014 do Datafolha, 14% dos brasileiros apontaram que uma ditadura poderia ser melhor que o sistema democrático atual, enquanto 16% se declaram indiferente a forma de governo desde que fosse bom para os cidadãos. Vale a pena refletir os resultados históricos do autoritarismo nas mais diversas nações bem como a civilidade alcançada pelos cidadãos em todo este tempo de evolução social. Talvez um governo absolutista tenha sua razão de existir, mas certamente ela não reside na sociedade civilizada na qual vivemos atualmente.

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