Johann Gottfried Herder (1744 – 1803)

Todos os homens são iguais.

“É a natureza que educa as pessoas: o estado mais natural, portanto, é uma nação, uma família estendida com um caráter nacional.” [Johann Herder]

        Diferentemente do Iluminismo, que pregava a razão nas definições políticas, Johann Herder defendeu que o modelo social deveria considerar também o ambiente cultural e físico onde as pessoas conviviam. Em sua concepção as pessoas precisam se sentir sendo parte de algo, pois seus futuros são moldados pelos lugares onde nascem e crescem; argumentou também que um indivíduo depois de formado neste grupo, pouco provavelmente conseguiria se sentir feliz fora de seu ambiente nacional.

        Concebeu então o conceito de Volksgeist (ou Espírito do Povo), onde definiu que uma nação de língua, cultura, costumes e folclore semelhantes seriam a forma mais natural de agrupamento para uma formação social, e não necessariamente um Estado estabelecido por um contrato social. Johann Herder deixou evidente sua repulsa aos processos de imigração e emigração, pois os considerava distúrbios para com a única forma verdadeira de governo – a unidade nacional. Esta unidade também seria afetada com o crescimento antinatural dos Impérios e as misturas das raças que se alastravam com o colonialismo.

        As ideias de Johann Herder criaram um movimento nacionalista por toda a Europa no século XIX, o que gerou grande ondas de racismos e movimentos xenofóbicos. Foi criticado principalmente por ter incentivado a perseguição aos Judeus muito antes do holocausto, e claro repreender movimentos multiculturais que são vistos como essenciais para a formação de um mundo moderno e globalizado em que vivemos. Não faltaram também, opiniões contrárias a superestimação do nacionalismo como agente influenciador e formador de grupos de massa, que na prática se deixam levar praticamente por qualquer coisa, desde laços familiares, passando por ídolos artísticos, religião e até mesmo produtos eletrônicos.

        É inegável a influência de uma unidade nacional na formação de um indivíduo bem como a dificuldade em alcançar a felicidade enquanto afastado de todas estas raízes. Contudo é evidente a força científica e social alcançada com a junção de diferentes culturas, sem falar da evolução biológica com a miscigenação das raças.

        Infelizmente o nacionalismo ou regionalismo que deveria fazer parte apenas de disputas saudáveis, como as ocorridas no esporte; é muitas vezes estendido para nações e regiões, muitas delas desenvolvidas, que em pleno século XXI insistem em apontar como origem de seus complexos problemas a simples existência de minorias supostamente incapacitadas.  

        É fato também, que os Estados-Nações, que formaram grande parte dos países europeus existentes hoje foi uma necessidade econômica de expansão capitalista para uniformizar mão-de-obra e derrubar o protecionismo comercial provinciano existente da época; a unidade nacional que percebemos hoje não era percebida em grande parte das mesmas regiões há um século quando foram formadas.

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