Kautilya (350 a.c. – 275 a.c.)

Uma roda sozinha não se move.

“Tudo começa com um conselho.” [Kautilya]

“Através dos olhos dos ministros, as fraquezas de outros são vistas.” [Kautilya]

        Nos séculos V e IV a.c., os soberanos indianos tinham sua cúpula composta por generais responsáveis pelas guerras e ministros pelas políticas governamentais. Kautilya fora um dos mais proeminentes ministros de sua época, formado na universidade de Takshashila ficou conhecido por sua obra A Arte de Governar que analisou de forma objetiva o arcabouço político necessário para se compor um governo de sucesso.

       

        Em seu tratado, criou um modelo político onde soberanos possuíam um papel central ao buscar o objetivo de garantir o bem-estar e equilíbrio de justiça para o seu povo; contudo salientou que tão importante quanto encontrar um governante adequado é treiná-lo e suportá-lo no conhecimento e habilidades administrativas necessárias, papel este que cabia aos seus ministros experientes e confiáveis, cujo auxílio permitiria criar diretrizes que levasse o império ao progresso.

        Apesar da valorização da ética e moral existente na época, foi pragmático e ciente da natureza e fraqueza humana, onde permitiu o uso de trapaças e subornos como meio de conquista e vitória enquanto enfrentando estados inimigos. Tal frente não virtuosa deveria ser realizada por uma rede de espionagem responsável por coletar informações necessárias tanto para uma política internacional de sucesso quanto para políticas internas que busquem evitar a desestabilização do governo por uma oposição agressiva. As informações obtidas por esta rede de inteligência deveriam ser aceitas como justificativa para ações imorais do soberano que buscassem garantir a autonomia e força do estado.

        O Império Mauria, estabelecido com base nas cartilhas de Kautilya tornou-se o maior Império Indiano existente, capaz de conter até mesmo as ofensivas de Alexandre, o Grande. Suas ideias só foram abandonadas após a expansão do Império Islâmico sobre a Índia, sendo retomado após a independência para com o Império Britânico.

        Os textos de Kautilya foram uma compilação das análises de Confúncio, Mozi, Sun Tzu, Platão e Aristóteles; talvez pudessem até ser considerados um guia prático de governo bem sucedido, onde prevalece a criação de uma nação forte e estável através da aniquilação dos inimigos e conquista dos povos como uma receita infalível. 

        Talvez o maior empecilho às suas diretrizes esteja na certeza que de outras nações e impérios também poderão adotar medidas semelhantes, e que em um mundo limitado não exista espaço para tantas superpotências. Precisamos ter a consciência que mesmo não sendo o maior império de uma época é possível colher por séculos colher os frutos de um período de expansão adequado. Isto é perceptível hoje no grande sucesso das potências atuais, cuja riqueza e progresso advém de sua história de conquista e subjugação de povos, aliado claro, a um planejamento político nacionalista e estratégico.

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