Leon Trótski (1879 – 1940)

Se os fins justificam os meios, o que justifica os fins?

“Extirpem os contrarrevolucionários sem piedade, tranquem pessoas suspeitas em campos de concentração. Desertores serão mortos, apesar do serviço militar prestado.“ [Leon Trótski]

“Devemos nos livrar de uma vez por todas da conversinha papista-quaker sobre a santidade da vida humana.” [Leon Trótski]

       Karl Marx havia deixado claro em seus trabalhos, o socialismo só poderia se tornar vencedor quando aplicado globalmente, garantindo para sempre a ditadura do proletariado; Trótski compartilhava, assim como Lênin, desta mesma perspectiva.

        Contudo a chegada ao poder por Stálin e consequente centralização da política não só esfriou os ânimos dos trotskistascomo eliminou-os definitivamente da participação nos partidos comunistas por toda Europa; a mensagem do mais novo líder soviético era clara: não se importava com o socialismo de um país só, e não pretendia financiar uma revolução mundial permanente.

        Criticado por suas investidas nada moderadas, Trótski argumentou que o moralismo era uma ferramenta criada por uma classe dominante que tinha como única utilidade subjugar os subordinados, citou como exemplo as democracias ocidentais que se julgavam defensoras da liberdade do homem mas transformavam seus cidadãos em soldados assassinos assim que necessário uma guerra. Sua intenção era obviamente dar sustentação à sua percepção radical do socialismo que deveria expandir não importando o quanto custasse.

        Defendeu que a concentração de poder no Estado durante a liderança de Lênin só tinha como objetivo implantar a ditadura do proletariado e que o stalinismo foi uma reação burocrática que criou uma nova aristocracia na Rússia, em seu ponto de vista pior até mesmo que a dos czares. Trótski foi um crítico de Stálin desde o início, e condenou aqueles que só se opuseram a ele quando suas atrocidades vieram a público; argumentou que qualquer fim cujo objetivo fosse aumentar o poder do homem sobre a natureza e diminuir o poder do homem sore o homem teriam seus meios justificados.

        O comportamento radical de Trótski o levou a ser amplamente criticado, primeiramente por sua liderança do exército vermelho durante a guerra civil russa que fora tão autoritária e centralizadora quanto a liderança de Stálin. Sua objeção em enxergar seu próprio autoritarismo e aceitar discordâncias de suas proposições também foi apontado como um mero exemplo de concentração de poder nas mãos de poucos líderes que era justamente o totalitarismo que deveria ser combatido.

        O conceito moral de Trótski sem sombra de dúvida foi emprestado de Nietzsche, e apesar de provavelmente estar correto em sua concepção moral, foi um líder autoritário que via em seus ideais a justificativa para qualquer ação que julgasse apropriada. 
 
        Atualmente vivenciamos no Brasil uma situação semelhante, o ministro do STF Joaquim Barbosa convicto dos laudos do processo conhecido como mensalão condenou juntamente com seu colegiado diversos políticos brasileiros acusados de utilizar dinheiro público para corromper parlamentares. 
 
        O apoio popular que clamava por justiça levou o juiz, que ocupava o maior cargo jurídico no país, a tomar outras ações sem envolver o colegiado que presidia, algumas delas condenadas por juristas; pode-se destacar entre elas a proibição de trabalho externo conforme previsto pelo regime semiaberto ou a expulsão de um advogado que visivelmente confrontou-o em uma sessão. Correto, ou não, democrático ou não, numa república federativa não devem ser alimentos os “super-heróis”, todos precisam ser submetidos ao formulado ao definido pela constituição.

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