Mary Wollstonecraft (1759 – 1797)

As mulheres mais respeitosas são as mais oprimidas.

“Mais respeitosa é a mulher que ganha o seu próprio pão ao cumprir qualquer dever, em vez daquela mais bonita.” [Mary Wollstonecraft]

        O Iluminismo foi destacado pela defesa da democracia, liberdade individual e amplos direitos, contudo nem seus mais ilustres filósofos defenderam um mundo novo para as mulheres. Rousseau por exemplo alegava que mulheres deveriam ser educadas para aprender a agradar apropriadamente os homens, e foi neste ambiente que Mary Wollstonecraft publicou sua obra Uma Reinvindicação do Direito das Mulheres.

        Mary trouxe à tona o fato de que a mulher dependia do sustento financeiro masculino para sobreviver e que portanto eram educadas para aprender agradar os homens para consequentemente tirar seu sustento; qualquer mulher que não optasse pelo jogo da sedução e não tivesse acesso à educação se via fatalmente numa perspectiva de vida onde seria impossível se sustentar. 

        Defendeu que o mundo só seria revitalizado se as mulheres fossem felizes como os homens, e argumentou que elas deveriam ter o direito a trabalhar e ganhar seu próprio dinheiro, sendo a chave para o acesso ao trabalho a oportunidade de uma boa educação. Rebateu veemente ao fato das mulheres serem consideraras inferiores intelectuais, onde destacou que o único motivo que justifica tal afirmação era a falta de acesso à educação que lhes eram privadas.

        Por ser uma mulher liberal ficou muito mais conhecida pelos seus comportamentos do que suas ideias, contudo seu legado inspirou muitas outras e 150 anos depois de sua morte a Universidade de Cambridge garantiu o título acadêmico pleno a uma mulher e pouco menos de 200 anos depois o direito ao voto feminino foi aprovado na Nova Zelândia. 

        Um de seus questionamentos mais conhecidos foi o que destacou quantas mais mulheres sofreriam em uma vida de desgosto enquanto poderiam exercer uma profissão de médica, administradora ou negociante e mostrou desentender o temor masculino em estabelecer uma relação de afeto e respeito mútuo com as mulheres.

        A história sempre nos traz importantes lições, a escravidão foi por muito tempo tolerada, a submissão e objetificação sexual da mulher era amparado por lei e estimulado dentro da própria família. Homossexuais são vistos como doentes psicológicos ou sem vergonhas enquanto a garantia ao acúmulo de riquezas é percebida como maior impulsionador de uma sociedade. 

        Muitos conceitos são derrubados com o tempo, e felizmente muitos tornam-se um grande absurdo séculos depois. Imagino que deve ser difícil se desprender de algumas regalias, quantos homens não gostariam de ter seus escravos para lhe servir, sua esposa virtuosa para constituir uma família, suas amantes para se divertir, seus empregados para lhe gerar dinheiro e seus inimigos homossexuais para serem debochados? 

        Esta vida é sem sombra de dúvida mais fácil que pagar para ser servido, amar alguém para ser correspondido e respeitar os não compreendidos. A história mostra que novas gerações derrubam os mitos herdados de seus antepassados, portanto, perdem tempo os conservadores que tentam defendê-las; a mudança é inevitável.

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