Mikhail Bakunin (1814 – 1876)

O homem privilegiado tem o intelecto e coração corrompidos.

“A ideia de Deus implica abrirmos mão da razão e da justiça humana.” [Mikhail Bakunin]

        Uma Europa democrática estava se ajeitando assim como o nascimento de seus Estado-Nações, e foi nesta época onde sociedades eram vistas como uma associação de indivíduos sob a autoridade de um governo ou igreja que o pensador Mikhail Bakunin publicou sua obra Deus e o Estado, onde defendeu que a realização plena do homem só seria alcançada quando este se rebelasse contra todo e qualquer tipo de autoridade. Filiou-se a Primeira Internacional de onde foi expulso por discordar de Karl Marx que defendeu a submissão do homem a um estado socialista.

        Mikhail Bakunin atacou agressivamente a Igreja onde argumentou ser uma instituição opressora que mantém o povo em estado servil, impedindo a libertação humana. Ao perceber que a crítica de Voltaire ao afirmar que se Deus não existisse seria necessário criá-lo, era um consenso de que opressores tais como sacerdotes, banqueiros, monarcas e políticos sempre existiram optou pela perspectiva que a liberdade exigia a abolição da existência de Deus e do Estado. 

        Também atacou o Estado ao afirmar que nenhuma lei deveria ser seguida senão as leis naturais, e defendeu que deste modelo anárquico os indivíduos seriam capazes de encontrar sua própria liberdade. O filósofo acreditava que o poder corrompe a todos destruindo seus corações e mentes, pois mesmo os mais virtuosos abandonam a busca da verdade e a essência da moral para garantir e proteger o poder concedido. Sua conclusão foi de que toda e qualquer autoridade deve ser rejeitada.

        Bakunin fundamentou o anarquismo que inspirou ativistas e o surgimento de diversos movimentos anarquistas no século XIX. Em 1936 durante a Revolução Espanhola a união anarquista espanhola contava com mais de 1 milhão de membros que chegaram a implantar regimes anárquicos como a Comuna da Astúrias, que contava com participação política direta, escolas próprias e que aboliu a estrutura de cargos e salários; seu fim chegou com a derrota em 1939 para o ditador militar Franco que governou a Espanha de 1936 a 1975.

        Para os que acham Karl Marx um revolucionário baderneiro, viriam na figura de Mikhail Bakunin e revolução personificada, relatos históricos remetem a uma luta desmedida em prol da revolução até os últimos dias de sua vida. Pessoalmente vejo a abolição de Deus e da religião como uma infração ao direito de liberdade do cidadão, contudo a autonomia e privacidade dada a Igreja não poderia ser diferente daquelas oferecidas às corporações e aos indivíduos. 

        Ainda hoje existem diversos movimentos anárquicos ao redor do mundo e é bem provável que a formação social do homem se iniciou de forma anárquica e com os milhares de anos acabou nos trazendo à situação em que nos encontramos hoje. Neste caso, a única garantia de que um anarquismo poderia fornecer um modelo melhor seria a crença de que somos uma sociedade madura o suficiente, e que amparado pelas decisões históricas seríamos capazes de tomar caminhos distintos dos tomados a milhares de anos atrás.

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