Platão (427 a.c. – 347 a.c.)

Até que os filósofos sejam reis as cidades jamais estarão a salvo dos seus males.

“E o maior castigo consiste em ser governado por alguém ainda pior do que nós, quando não queremos ser nós a governar.” [Platão]

“Democracia é cheio de variedades e desordem, dando igualdade para os iguais e para os desiguais da mesma forma.” [Platão]

        O Período Clássico ateniense caracterizou-se pela queda de um líder tirano que resultou em uma democracia que por 200 anos fortaleceu o crescimento cultural, científico e filosófico de Atenas. Foi esta mesma democracia direta que dispensava representantes a responsável por condenar à morte o maior pensador e mais influente filósofo ocidental – Sócrates, que optou morrer ao aceitar a acusação de que instigava jovens à se rebelarem contra o modelo político existente.

        Um dos jovens seguidores de Sócrates, Platão iniciou sua carreira filosófica avesso a democracia assassina de seu tempo, tampouco era crente de outras formas de governos já existentes. Prevalecia na Grécia daqueles tempos o conceito de eudaimonia, que diferente do materialismo e consumismo atual, valorizava em primeiro plano uma vida digna, justa e repleta de sabedoria. 

        No pensamento de Platão, a função do estado era criar condições para que os cidadãos atinjam a vida digna cuja a principal barreira era ignorância e o fisiologismo daqueles que governam e que trocam o bem comum por prazeres transitórios de honra e riqueza, estes sim os maiores destruidores de um estado, pois ao buscarem o poder para concentrar prazeres transitórios acaba-se por privar outra parte da população, gerando uma disputa interna e consequente instabilidade governamental.

        Platão afirmou que apenas os filósofos teriam a capacidade e sensatez necessárias para formar um governante, pois apenas aqueles que não buscam o poder e são virtuosos paradoxalmente podem se tornar líderes capazes de trazer a justiça e sabedoria para toda uma nação. Ciente da inviabilidade de suas propostas traçou um plano de imposição do estudo da filosofia aos Reis, já que a sabedoria e virtuosidade poderiam ser aprendidas permitindo assim um governo de qualidade para os cidadãos. 

        Seus pensamentos influenciaram fortemente o Império Romano e vieram de encontro às doutrinas chinesas de Confúcio e Mozi. Atualmente seu modelo não é adotado na política contemporânea pois é considerado presunçoso ao assumir que uma elite intelectual pode alegar a si mesma como única conhecedora do que seria melhor para todos, abrindo assim, espaço para uma forma totalitária de governar uma nação.

        A democracia é uma invenção antiga e fora rejeitada pelos mais sábios filósofos de sua época mesmo possuindo uma forma mais idealizada que a atual, pois o próprio cidadão se representava lançando mão à necessidade da eleição de representantes. O motivo da rejeição estava na facilidade de manipulação das massas, o que na época de Platão se resumia a milhares de homens atenienses com mais de 30 anos. 

        O que diriam os filósofos gregos sobre a nossa democracia representativa onde milhões de eleitores vivendo numa sociedade líquida e de prazeres transitórios são atingidos constantemente pela propaganda do rádio, televisão e internet? Imaginemos agora um Rei filosófico platônico como líder da nação brasileira, seríamos capazes de aceitar uma administração que nos leve a uma vida digna; ou os anseios pela honra, riqueza e vaidade falariam mais altos? Talvez os problemas políticos não estejam nos governantes, e sim residam na maturidade de sua própria população.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s