Rosa Luxemburgo (1871 – 1919)

A greve de massas resulta de condições sociais com inevitabilidade histórica.

“A greve de massas é simplemente a forma de luta revolucionária em dado momento.” [Rosa Luxemburgo]

        Em 1826, estourou no Reino Unido a primeira greve em massa por mineradores contrários a redução salarial, 80 anos depois Rosa Luxemburgo publicou Greve das Massas onde reafirmou na greve a melhor ferramenta de barganha do trabalhador.

        Enquanto Marx e Engels apostava em greves encabeçadas por uma vanguarda profissional mais preparada que a classe trabalhadora e os anarquistas apostavam em atos extraordinários de destruição em massa. Rosa Luxemburgo via uma evolução natural na consciência da massa operária, onde líderes representariam apenas o pensamento desta massa, para ela, o trabalhador iria compreender com o tempo os ganhos setoriais e políticos alcançados com uma greve.

        Afirmou que quanto mais se pressionar o proletariado, mais greves explodiriam, o que culminaria inevitavelmente numa paralisação nacional; cada vez mais esta discussão iria incentivar o trabalhador a se intelectualizar e acabaria por transformar a liderança operária. Lênin discordou desta capacidade natural e espontânea, preferindo uma revolução disciplinada através de líderes como a que implantou em seu partido bolchevique. Rosa Luxemburgo alertou-o que tal caminho haveria de culminar numa ditadura, fato que se concretizou posteriormente.

 
        Existe hoje no brasil um “apagão sindical”, a filiação obrigatória de todo empregado é percebida como uma atitude unilateral e de pouca importância que os trabalhadores enxergam negativamente. Muito desta percepção se deve ao ponto de vista de que sindicalistas são fanfarrões vagabundos, e o que é pior são tentáculos políticos partidários; os sindicatos por sua vez, alegam crescente falta de interesse e participação dos trabalhadores. 
 
        Particularmente não discordo da alegação de pouco desempenho dos sindicalistas e é óbvio a falta de participação dos trabalhadores, mas vejo como pior a aproximação com a política. Entretanto, defender o fim dos sindicatos é um retrocesso tão grande quanto o fim da política, e certamente muito do desempenho ruim que vemos hoje tanto na política quanto na sindicância é um reflexo da falta de participação dos interessados. 
 
        Sindicalistas deveriam se abster da política partidária e se concentrar nos benefícios dos trabalhadores como um todo, lembrando que um poder vindo da consciência dos trabalhadores é forte o suficiente para fazer repensar qualquer outra força política ou social. Concordo com Rosa Luxemburgo quanto a evolução natural das necessidades da mudança, e infelizmente neste caso, qualquer medida que vise instaurar um coletivismo operário acaba por gerar uma autocracia além de não alcançar o empenho necessário.

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