Tomás de Aquino (1225 – 1274)

Para que uma guerra seja justa é necessária uma causa justa.

“A única desculpa para a guerra, portanto, é que vivamos ilesos em paz.” [Cícero]

“Uma guerra justa, no long prazo, é muito melhor para a alma do Homem que a mais próspera praz.” [Roosevelt]

        Desde o final do século IV, até o início do século XII, a hegemonia do catolicismo era presente não apenas no estudo científico mas também político de toda a Europa; contudo a ascensão do Império Islâmico e sua expansão para o sul da Espanha trouxeram à luz novas interpretações de grandes filósofos como Platão e Aristóteles, cujas ideias influenciaram os governos de diversas nações europeias.

        Tomás de Aquino foi o mais importante pensador religioso desta época e buscou justificar a relação entre o racional e o dogmático ocupando-se em alinhar o poder secular existente e a autoridade divina com o intuito de reduzir o conflito entre Estado e Igreja; sendo a justiça o ponto comum encontrado entre ambas instituições. 

        Suportado por sua religiosidade definiu a razão do Homem como um presente de Deus, sendo possível alcançar através dela a lei natural e eterna, ao qual todos homens estariam sujeitos. Sabia contudo, que apenas a razão não seria o suficiente pois o convívio em comunidade exigia regras e ordem que regessem o cotidiano, reforçou que estas leis humanas apesar de coerentemente eram falíveis podendo causar resultados injustos.

        Lembrou que uma lei para constituir a ordem deveria ser criada para o benefício da comunidade e não de seu soberano, pois só assim o indivíduo poderia fazer de sua própria disposição aquilo que fazem por medo ou obrigação. Propôs então que as leis humanas se limitassem em permitir aos homens a capacitação através da razão para que se buscasse o senso de justiça e vivesse em harmonia com as leis da natureza. 

        Os conceitos de moral e justiça de Aquino eram tão fortes que foram estendidos para as guerras, que poderiam ser justificadas caso possuíssem uma intenção correta, como busca pela paz, fossem declaradas por uma autoridade reconhecida, como o líder soberano e resultassem em uma causa justa, como benefício para o povo.

        Apesar de parecer à primeira vista uma repetição do modelo político aristotélico, Aquino foi um grande reestruturador ao abrir o debate sobre o papel limitado da Igreja como instituição responsável por consolidar a ordem e a justiça, sendo seu principal papel suprir diretrizes e um guia que deveria auxiliar o indivíduo no contato com o divino. 

       Talvez Aquino, tenha sido o responsável por permitir uma transição, mesmo que com perda de poder, que não levou à destruição a instituição religiosa ocidental. Muito provável sua fé e devoção somado a percepção de sua própria vida o encorajaram a acreditar que na busca pela razão, o Homem acabaria por perceber a necessidade em se encontrar com o divino. Aquino não estava de todo incorreto, a Igreja continua sendo influente mesmo sem a participação majoritária no Estado. Também foi certeiro ao perceber que a Ciência não seria capaz de suprir a carência espiritual humana, e talvez por tais feitos mereça seu título de Santo.

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