Pensando Fora da Caixa

O caminho adiante pode não ser ir para frente.

“British Telecom poderia ter inventado o Skype. Só não o fizeram porque o conceito de plataforma livre era muito disruptivo para seu modelo de negócio.” [Alan Moore]

O “quebra cabeça dos nove pontos” foi a origem da expressão “pensar fora da caixa”. Nesta brincadeira um quadrado desenhado no papel com nove círculos dentro de si desafiava o voluntário a riscar todos os nove círculos com três riscos sem tirar a caneta do papel. A solução era simples, bastava fazer três riscos longos de modo que o lápis vazasse fora do quadrado.

A dinâmica do mercado, bem como suas mudanças, altos e baixos levaram companhias a reverem suas estratégias e confrontar premissas há muito consolidadas. O termo “pensar fora da caixa” é hoje utilizado para representar todo processo criativo e inovador que desafia conceitos consolidados e existentes; é este o comportamento que se espera de grande parte dos trabalhadores e tem sido o principal fator de alavancagem da multidisciplinaridade em muitas áreas do conhecimento.

Uma das técnicas para se atuar fora da caixa consiste no recuo estratégico, do inglês bold retreat. Esta estratégia foi utilizada por empresas como MySpace e Nintendo quando perceberam que seus produtos não mais eram competitivos, e vencer uma corrida tecnológica ou de mercado se tornara quase impossível.

O MySpace, primeira rede social criada, desistiu do mercado de massa e se concentrou em uma rede social para artistas; já a Nintendo lançou seu console Wiique possui jogos simples com uma interface diferenciada que transformou partidas de vídeo game em um evento familiar e social; em ambos os casos, as companhias deram um passo atrás e escolheram uma nova direção estratégica.

Outra técnica consiste em pensar além da empresa, neste modelo os trabalhadores são alocados para viver o dia a dia do consumidor literalmente, para que possa entender de mais perto quais as suas necessidades e oferecer ofertas e soluções mais atrativas. O mercado é dinâmico, os consumidores são exigentes e os competidores são ferozes, mas certamente um dos principais desafios de uma organização está em conseguir se libertar de seus próprios grilhões.

O mercado pode ser seguido de perto com investimento adequado em marketing estratégico, pode-se até adotar uma estratégia fast follower para minimizar riscos com investimentos. Consumidores podem ser convencidos com bom relacionamento, preços e propaganda. Competidores podem ser vencidos com contratações, clientes insatisfeitos, novos lançamentos. Já competir consigo mesmo não é fácil e não possui receita; exige reflexão, auto avaliação, imparcialidade, sacrifício, objetivo, comprometimento e muita força de vontade.

Em toda área ou setor, existem dezenas de empresas que estão em posição de destaque ou situação confortável, e são justamente estas as que venceram todas as etapas anteriormente citadas, ficando de lado apenas a melhoria interna, o aprimoramento com relação a si mesmo. Uma empresa que se tornará disruptivas e consegue pensar fora da caixa deve começar primeiramente pela renovação criativa de seu corpo diretor; ter o objetivo certo é o primeiro grande passo de todo esforço que precisa ser aplicado.

Contudo, o mais complexo, ainda está em transformar e conseguir a metamorfose necessária de todo seu corpo de colaboradores, ideias que coloquem o antigo em segundo plano geram desconforto pois exige mudanças e adequação de muitas pessoas. E recomeçar do zero não é tarefa que qualquer indivíduo está disposto a se sujeitar, principalmente após décadas de estabilidade e aquisição de conhecimento que lhe permitem amplo domínio do assunto em vigência.

Pensar fora da caixa é apenas o primeiro passo de um longo percurso de remo contra a maré. Mudanças disruptivas só ocorrem com o pensamento correto, esforço e dedicação necessários, e claro, por pessoas que se desafiam e possuem anseio por se superar em ambientes e condições distintas. É necessário uma equipe airborne” para uma ofensiva disruptiva, soldados comuns devem ser mantidos para segurar o fronte de batalha.



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