Primeiro os Lucros, Depois as Regalias

Executivos não podem ser gananciosos.

“Liderar é ter o privilégio de melhorar a vida dos outros. E não a oportunidade de satisfazer a ganância pessoal.” [Mwai Kibaki]

Em tempos de crises, companhias cortam regalias de seus executivos para estimulá-los a gerar maior lucratividade e então obtê-las de volta; assim foi com a alemã T-System, que restringiu passagens aéreas a classes econômicas, e a Walt Disney que cortou despesas com carros e motoristas.

Em uma visão ideal, executivos deveriam negociar seus salários e benefícios durante sua contratação e exercer um mandato que propicie o maior ganho possível aos seus acionistas. Contudo, como todo ser humano, é difícil não desfrutar de todo poder concedido diante de tanta riqueza sem almejar benefícios próprios; inicia-se então o divórcio entre a propriedade e o controle, onde o executivo coloca seu foco em aumentar seu poder e aumentar suas regalias ao invés de buscar maior lucratividade e saúde financeira da organização.

Durante a crise de 2008, os bônus recebidos pelos executivos dos principais bancos à beira da falência ou amargurando imensos prejuízos deixou o mundo boquiaberto. Este disparate está levando a indústria americana, onde empresas de capital aberto é comum, a prover maior governança e controle por parte de seus acionistas; já a indústria alemã, onde a administração familiar de médias empresas é mais comum, não se percebe o abuso de regalias. Estudos recentes na Espanha mostraram que empresas familiares possuem planejamentos que beneficiam a saúde financeira no longo prazo e maior equidade entre lucros e regalias de seus executivos.

Uma empresa é uma pequena comunidade, gostem ou não os liberais, ela é um reflexo do que se percebe na administração pública. Diferenças pequenas são notáveis; primeiro, empresas são menos burocráticas devido ao seu tamanho, e trazem resultados de forma mais imediata, tendo em vista que todas as pessoas devem trabalhar para atingir um único objetivo comum – o Lucro.

Ao contrário do que muitos pregam, o empreendedorismo não é a alma das organizações, e sim um sonho individual de quem um dia sonhou em transformar o mundo. Este sonho é tão longínquo quanto a primeira abertura de capital, seja esta privada ou pública; empresas que cresceram e trouxeram dinheiro ao seu dono, perdem sua essência tão logo o espírito de empreender e mudar o mundo se transforma no espírito de cortar os custos e aumentar os lucros.

Não menos por isso, poucas empresas conseguem se perpetuar; são as novas ideias, os novos sonhos, carregados pelos novos empreendedores quem derrubam os antigos gigantes; este ciclo se repete viciosamente há séculos, e assim deve permanecer por tantos outros que estão por vir. Claro, nem sempre o fim de uma empresa está ligado a uma nova concorrência que surge, muitas vezes seus executivos, distantes da visão empreendedora de seus donos e sedentos pelos resultados aos quais se comprometeram e acreditam ser necessário atingir, cometem enganos que podem as levar a uma situação difícil, ou até mesmo a sua falência.

 

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