Investimentos e Dividendos

Se a riqueza é aplicada onde existe interesses trará retorno em dobro.

“Você sabe a única coisa que me traz prazer? Ver meus dividendos chegando.” [John D. Rockfeller]

O professor de economia John Kay apresentou em 2012 um relatório sobre o mercado de ações, nele criticou a ênfase que se dá a especulação e relatou que seu principal objetivo é permitir que empresas consigam atrair investimentos extremamente baratos para que possam ser utilizados em planos de crescimento ou fortalecer o caixa em tempos difíceis. Na época, alertou para o risco das empresas que pagam dividendos excessivos.

Quando se termina o balanço fiscal de uma corporação, a direção define quanto do lucro será utilizado para reinvestir na companhia, e quanto será utilizado para pagar dividendos aos acionistas. A primeira empresa a adotar esta prática foi a Companhia das Índias Orientais, um grupo holandês que no século XVII pagava retornos cujos valores alcançavam 18% do valor investido.

A regra adotada pela diretoria ao balancear pagamento de dividendos e investimento interno está diretamente ligada ao período de crescimento da companhia, se ela está em expansão são necessários mais investimentos; outro fator importante é o dinheiro em caixa, se as reservas estão fracas é necessário recompô-las, se estão sustentáveis o dinheiro pode ser repassado aos acionistas.

O pagamento de dividendos é um dos maiores “alavancadores” de preço das ações, no entanto o investidor precisa ser cuidadoso, o aumento dos dividendos pode significar apenas um atrativo para angariar desavisados colocando-os como base de sustentação à riscos iminentes. Muitas empresas, como a Apple adotaram uma postura diferente, por anos não pagavam dividendos, apenas ganhos de capital alegando que o investidor teria um benefício maior com o crescimento da empresa no longo prazo.

Toda empresa deveria ter para si duas missões essenciais: gerar lucro e impulsionar a comunidade onde vive; o que por consequência atrairá dois perfis de pessoas para o seu círculo de relacionamento: o investidor e o inovador. Esta combinação é explosiva e pode levar uma organização a patamares inimagináveis; contudo o foco nos resultados tendenciosamente é priorizado, o que pode acabar colocando a empresa numa espiral de busca por pagamento a acionistas impedindo que ela continue crescendo adequadamente.

No Brasil, país onde a taxa de juros básicas raramente está abaixo de 10% e a inflação está sempre flertando com as duas casas decimais, a compra de ações para recebimento de dividendos é sinônimo de perda financeira. Esta condição infelizmente coloca nossa bolsa de mercado e valores futuros em um alto grau especulativo e de grande volatilidade; só se ganha dinheiro com valorizações impulsionadas por expectativas, vulgo especulações.

Apenas como exemplo, podemos citar as 5 maiores pagadoras de dividendos de 2015 do Ibovespa: BRPR3 (21,77%), CESP6 (18,11%), FIBR3 (11,93%), TAEE11 (11,66%) e VIVT4 (8,81%); já a média das 20 maiores pagadoras ficou em 8,68%; ou seja, apenas as duas maiores pagadoras superaram a taxa de juros básica paga pelo governo federal. Em suma, podemos concluir que pagar dividendos a acionistas no Brasil é um grande negócio, uma organização poderia abrir seu capital, angariar os investimentos, aplica-lo em tesouro direto, pagar um dos maiores dividendos do mercado e ainda embolsar o restante.


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