Fazendo dinheiro, do dinheiro

Faça empréstimos curtos, e empreste por longos tempos.

“A linha que separa o investimento e a especulação nunca foi limpa e clara.” [Warren Buffet]

As décadas anteriores à crise de 2008 foram marcadas pelos “investimentos” massivos das reservas organizacionais no mercado de curto prazo. Com a crise e a quebra dos bancos o jogo se inverteu, as reservas se tornaram o centro da atenção, são monitoradas constantemente e uma grande quantidade é retida para eventuais crises de liquidez do sistema financeiro.

Em uma análise, o bom senso afirmaria que deixar o dinheiro de uma companhia parado é um desperdício tendo em vista que este poderia render mais; contudo uma expansão produtiva é longa e custosa. O resultado foi um arriscado envolvimento do mercado produtivo com o mercado financeiro.

A febre começou em 1970, onde organizações criaram departamentos financeiros especializados e familiarizados com o mercado cujo propósito era utilizar as reservas organizacionais para extrair o máximo do mercado financeiro. Muitas empresas conseguiram extrair mais lucros destas aplicações do que até mesmo suas exportações; contudo em 2008 muitas destas “apostas” não se concretizaram e os prejuízos imensos levaram as empresas a uma política mais restrita e de grande controle destes investimentos.

Outra estratégia organizacional consiste na criação de “bancos sombras”, onde empresas utilizam seu dinheiro em caixa para financiar consumidores na compra de seus próprios produtos. No entanto esta estratégia excepcional que permite agregar uma venda casada de serviço financeiro através dos juros e garantem uma alavancagem nos resultados são de alto risco.

Primeiramente porque estas empresas não são bancos e, portanto,não estão submetidas as regulamentações nacionais que buscam impedir a formação de bolhas; segundo porque leva empresas a falta de investimento operacional pois os retornos dos empréstimos são maiores do que a venda dos próprios produtos.

A crise de 2008 reforçou o que muitos economistas, há longa data já afirmaram; o mercado financeiro é uma ilusão, um oásis no deserto. Seus resultados são reais, contudo, só possuem valor se existem empresas e pessoas produtivas que trabalhem noite e dia auferindo-lhes os lucros.

O que se percebeu nos EUA, dificilmente poderia acontecer no Brasil, país que regulamenta e monitora os bancos com certa austeridade, além de claro, contar com um Fundo Garantidor de Crédito e uma classe bancária mais inclinada ao conluio e investimento em papéis públicos. Contudo regulamentação e fiscalização nem de longe podem garantir a segurança e robustez do mercado, empresas de pirâmide como a Telexfree e muitos outros bancos como Nacional, Banestado, Banco Santos e Pan Americano mostraram que o Estado é e continuará a ser falho quando o assunto é maquiagem financeira.

Se instituições financeiras em si, conseguem se mostrar à margem do poder do Estado, quando o assunto é alavancagem financeira; imagine as milhares de organizações que atuam no varejo. Qual seria o resultado da combinação de metas de vendas agressivas, crediário liberado e empréstimo líquido? Algo explosivo em uma economia com juros exorbitantes e de alta exposição financeira.

Qualquer país, que tenha no mercado financeiro uma maior expectativa que no empreendedorismo; dificilmente conseguirá uma posição de destaque como potência tecnológica. Na melhor das hipóteses se tornará um grande cassino, levando a economia a viver em momentos de festas, orgias, bebedeiras, ressacas e claro, muitas apostas.


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