Quem Assume o Risco?

Utilize a estratégia DDO, Dinheiro dos Outros.

“Risco começa quando não se sabe o que está fazendo.” [Warren Buffet]

“Existe uma medida simples de evitar excesso de riscos pelos gerentes de instituições financeiras. Tornar isto um crime.” [Paul Collier]

“Temos CEOs que aumentam seus salários em 20% enquanto demitem milhares de pessoas. Isto é obsceno.” [Charles Handy]

A crise de 2008 levou a falência gigantescos bancos de investimentos americano, o Lehman Brothers viu sua política de empréstimo a pessoas sem renda ir do céu ao inferno em meses. Seu executivo orgulhoso, Richard Fuld, que recebeu durante seu comando mais de U$500 milhões em bônus e até então era chamado de “Gorilla de Wall Street”, se negou a negociar sua empresa por pechinchas a outros investidores.

Os riscos financeiros aos quais uma organização se submete afetam diretamente acionistas e empregados; atualmente existem mecanismos que permitem tanto um negócio a concentrar seus riscos aos acionistas quanto estratégias que permitem terceirizá-lo para os empregadores e outros investidores.

Desde o florescimento das empresas, quando o capitalismo se consolidou no século XVIII, o modelo tradicional é aquele em que os acionistas são os maiores afetados por uma estratégia de alto risco. O que naturalmente levam as empresas a se lançarem apenas em atividades cujo risco é calculado e não pode colocar em xeque a existência da organização.

Por outro lado, expor acionistas ao risco pode reduzir o investimento em novos empreendimentos; surgiu então a lei de pedidos de falência, que apesar de ter sua particularidade em cada país, em suma permite a transferência de parte dos riscos aos credores e fornecedores. Neste modelo a organização pode legalmente suspender os pagamentos para que tente encontrar um novo caminho que a sustente e permita a sua recuperação; seu ponto negativo consiste na possibilidade de que empresários mal-intencionados as utilizes para realizar grandes lucros sozinhos e compartilhar os prejuízos.

Outro modelo meticuloso é aquele que expõe os trabalhadores ao risco; muitas empresas instigam seus colaboradores a comprarem suas ações além de depositar parte de suas reservas nos fundos de previdência corporativo que são congelados num momento de crise; acarretando não só na perda do emprego como também a poupança de uma vida.

Estudos mostraram que 59% das empresas adquiridas através do modelo private-equity cortaram suas vagas no curto prazo e reduzem salários no longo prazo; num claro movimento em que o lucro é absorvido pelos proprietários e os prejuízos são compartilhados com os trabalhadores.

Contudo o modelo de compartilhamento de riscos pode ainda ser pior, assim como foi visto na crise de 2008; governos de nações de todo o mundo utilizaram os impostos, ou dinheiro dos cidadãos, para resgatar empresas e bancos que se arriscaram durante anos obtendo lucros exuberantes que foram absorvidos por executivos e acionistas.

O resultado foi o mesmo obtido pelas transações private-equity, contudo em uma escala nacional gerando perda de renda e desemprego em massa. O termo muito grande para falharfoi utilizado por muitos governos de todo o mundo para justificarem colocar o tão exaltado liberalismo de lado para intervirem na economia num acordo único que salvou a pele de ricaços bem conectados.

Atualmente vivemos o pior modelo de compartilhamento de riscos, neste modelo socializado todo ganho é absorvido pelo setor privado enquanto as perdas são compartilhadas pela população e seus impostos. Nas últimas décadas os EUA viram sua população mais rica desfrutar de um aumento de renda de 266% enquanto os mais pobres foram sufocados nos mínimos 20%. Parece estar claro que o modelo meu lucro, seu riscoatingiu absurdos que deveriam ser revistos.

Grande parte dos empresários e empreendedores têm em sua empresa grande apego e dedicação, seus negócios são, poder-se-ia dizer, seus filhos. Este luxo, dedicação e vocação demasiada pela empresa, é o que muitas vezes fazem o negócio crescer, ou leva o empreendedor até mesmo a vender bens pessoais e tomar empréstimos para garantir uma sobrevida ao seu “bebê” em tempos difíceis.

No entanto, esta personificação, lealdade e gosto pelo negócio se atrofia a partir do momento que novos sócios são incorporados e chega-se ao extremo quando parte da empresa é adquirida por fundos de private-equity, cujo patrimônio é financiado nacionalmente e internacionalmente por desconhecidos cujo o entendimento do mercado, setor ou até mesmo dos benefícios sociais da empresa são desconhecidos e, portanto, colocado de lado por um único e simples motivo, o lucro. Aliás, nem pelo lucro, mas pelo “rentismo” e juros do dinheiro emprestado.

O grupo de fundadores aos poucos perde o controle, e a empresa se torna uma máquina de fazer dinheiro cujo único objetivo é atender o resultado imediatista, que são absorvidos por pessoas sem faces, até que o dinheiro se mova para outra organização com melhores perspectivas. Imagino que seja difícil não sucumbir a uma injeção de capital barata, seja para trazer uma estimada empresa de volta à ativa, ou então realizar um sonhado investimento que poderá coloca-la em postos inimagináveis.

No entanto, não nos deixemos enganar, sócio bom não é aquele que apenas traz o dinheiro, e sim aquele que possui princípios e valores que venham de encontro a organização. Dinheiro é sinônimo de juros, e abdicação de controle; alinhamento de princípios e valores e soma de trabalho e resultado consistente.

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