Alavancagem e Excesso de Risco

Dívida é o pior tipo de pobreza.

“Quando se combina ignorância com alavancagem obtém-se resultados bem interessantes.” [Warren Buffet]

A compra alavancada é um modelo que se utiliza de dinheiro emprestado para adquirir novos negócios bem como o lucro deste negócio para pagamento da dívida e seus juros. Na década de 80 este modelo foi utilizado extensivamente, onde empresas chegaram a ter dívidas equivalentes a 100% de seu valor, o que resultou em um momento de falta liquidez na quebra de uma grande quantidade de organizações.

Em sua obra Forecsat o físico americano Marck Buchanan estudou a economia aprovando um forte papel do Banco Central no controle de juros, inflação e taxas de câmbio; contudo estranhou que o nível de endividamento de empresas e da população não era levada em conta nesta regulação. A alavancagem através da dívida é sem sombra de dúvidas um fator importante na geração de um forte crescimento no curto prazo, contudo, quase sempre vem acompanhado na sequência por uma forte.

A crise de 2008 foi uma consequência dos altos níveis de alavancagem não apenas das pessoas no mercado imobiliário, mas também das empresas que se arriscavam cada vez mais numa forte expansão. Organizações, assim como cidadãos ou instituições governamentais, aproveitam-se dos bons momentos para se expandir endividando-se; contudo muitos executivos esquecem que o pagamento de uma dívida é obrigatório e não pode ser reduzido com uma caneta assim como ocorre com os dividendos.

Para evitar o risco de calote e posterior falência, é recomendado que o endividamento para alavancagem não ultrapasse a casa dos 35%, sendo considerado um endividamento acima de 50% uma alavancagem de alto risco. Infelizmente o não uso da alavancagem coloca a organização em posição de desvantagem no mercado, já que seus concorrentes podem tomar a dianteira ao utilizá-la, o maior desafio é, portanto, contrabalancear a tentação pelo crescimento com o compromisso para com os empregados, clientes e fornecedores.

Por conta da crise de 2008, e pelas diversas outras que o mundo já passou, a alavancagem é vista como um sinal de ganância, corrupção, leniência ou incompetência de algumas dezenas de CEOs. Particularmente, prefiro rotulá-la como uma implantação em massa do excesso de sonho e esperança.

Bancos realizam alavancagem com frequência, imagine a tentação de se criar dinheiro do nada, emprestá-lo e abocanhar os lucros dos juros ressarcidos. Empresários alavancam seus negócios, em um mercado que passa por bons momentos se conter é sinônimo de se colocar atrás dos concorrentes, e em muitos casos ser adquirido ou até aniquilado. Contudo não existe alavancagem pior, que a imobiliária, pois estas ocorrem em massa e trazem uma falsa percepção que contagia um país, ou em alguns casos até o mundo inteiro.

O “sonho da casa própria” não respeita fronteiras, religião, etnia, ideologia ou intelectualidade. Ela atinge todos, e uma vez potencializada leva milhões a um efeito manada, que basicamente consiste em trocar um grande débito pelo ninho sagrado para morar; e claro, que vai se valorizar trazendo segurança com o passar do tempo.

No entanto, o aumento deste financiamento traz um aumento desproporcional nos preços dos imóveis, criando novos ricos e milionários que vivem sob uma montanha de dinheiro na forma de concreto. O benefício maior, como explica o documentário, se remete aos banqueiros, que podem utilizar o recém-valorizado e alienado imóvel como ativo para alavancar ainda mais seus empréstimos e resultado financeiro. Com a enxurrada de dinheiro na praça o consumo cresce euforicamente e as empresas se veem obrigada a deixar o conservadorismo de lado para bailar a festa, que quase sempre, acaba mais mal do que bem para todos: banqueiros, empresários e consumidores.

Claro, que nem todas instituições possuem o mesmo relacionamento com o estado, o que garante neste caso que parte das perdas são assumidas por este e repassadas aos poucos para os antes venerados consumidores; que repentinamente passam a ser os equivocados e responsáveis contribuintes.

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