Obsolescência Planejada

O desejo de ter algo um pouco melhor um pouco antes do necessário.

“Obsolescência não significa o fim, e sim o começo.” [Marshal McLuhan]

Com a produtividade acima da capacidade de demanda existente, empresas começaram a traçar estratégias para manter o nível de consumo e portanto sua lucratividade. De 1924 e 1939, a General Eletrics, Phillips e Osram formaram um cartel para evitar que as lâmpadas durassem mais que 1000 horas; em 1932 Bernard London escreveu uma carta aberta ao governo britânico apontando que leis que reduzem a vida útil dos produtos poderiam ajudar a acabar com a depressão. Na década de 60 a Volkswagen disse que não reduziria a qualidade de seus carros apenas para vender mais e em 2013 a Apple declarou seu iPhone criado em 2007 obsoleto.

Construir produtos com grande vida útil parece fazer todo sentido, contudo muitos setores do mercado possuem uma evolução tecnológica tão intensa que grande parte dos bens são substituídos em um curto espaço de tempo. Outros produtos possuem componentes tão caros para se repor, que muitas vezes é mais vantajoso adquirir uma nova versão.

A empresa estadunidense Brooke Stevans, especializada no design de mobília foi quem primeiro cunhou a estratégia de obsolescência planejada; contudo no modelo definido pela empresa, a ideia não era a de criar produtos inferiores e sim desatualizar os móveis fornecendo produtos com novos designs trazendo a sensação de estar com mobílias antigas aos consumidores que não se atualizem regularmente.

Esta mesma estratégia se aplica a muitas empresas do setor automobilístico, que produzem veículos com autonomia para 500 mil quilômetros, mas os tornam desatualizados através do design e inserção de novas tecnologias a cada ano. Se levarmos em conta a durabilidade de um carro, grande parte dos consumidores não precisaria trocá-lo em menos de uma década.

Outro exemplo de obsolescência planejada está no mundo dos smartphones, empresas como Samsung e Apple lançam versões novas e melhoradas a cada ano, trazendo para o consumidor a sensação de desatualização tecnológica. A Samsung em especial conseguiu grande avanço em termos de receita e lucro com suas atividades de vendas de dispositivos móveis, além de abocanhar grande parte do mercado da Apple viu seus lucros subirem 45% em 2013, quando comparados com o mesmo período de 2012.

A ansiedade por status também é um fator emocional explorado pelas organizações, muitas pessoas se mantêm atualizadas para mostrar um padrão de vida condizente com seus ganhos ou grupo de relacionamento mais próximos.  Um exemplo clássico consiste em camisetas de clubes desportivos, que são lançadas todo ano e que são adquiridas para mostrar lealdade ao time do coração.

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