Ibn Khaldun (1332-1406)

sociology

Não é a derrota física que marca o fim de uma Civilização.

“O Homem é um filho dos costumes e não de seu ancestrais.” [Ibn Khaldun]

“As pessoas são ignorantes dos interesses da espécie humana. [Ibn Khaldun]

Historiador e filósofo Árabe, em uma época em que os Árabes dominavam o pensamento intelectual, escreveu uma enciclopédia sobre a História do Mundo, no qual buscou entender as razões para que algumas civilizações prosperam e outras declinem.

Ibn Khaldun estudou e observou centenas de povos, tribos e civilizações, onde pode perceber um padrão em suas análises, este consiste no fato de o que faz uma nação prosperar e se fortalecer é seu propósito comum e a capacidade solidária de seus indivíduos.

Importante ressaltar que solidariedade mencionada pelo autor não tem a conotação cristã de se dedicar em ajudar o próximo, ou seja é distinta da conotação atual que damos a palavra, ela está mais atrelada a capacidade do individuo de entender sua posição e se dedicar a comunidade onde vive buscando o bem comum.

O historiador também percebeu que com o passar dos tempos muitas nações prósperas crescem demasiadamente e vão perdendo parte de seus valores, o que permite que o individuo perca sua responsabilidade cívica, levando toda sociedade à decadência, geralmente sob o domínio de uma nova civilização mais jovem e forte, justamente por ser mais coesa e ter um propósito e indivíduos mais solidários.

Seus estudos mostraram que uma sociedade, geralmente, não é derrotada por uma conquista física, já que diversas civilizações que tinham sido totalmente escravizadas conseguiam se libertar após décadas, indicando que seu senso de propósito comum ainda era forte. Conclui então que o fim de uma civilização só é marcado por sua derrocada psicológica, ou seja, quando todo propósito e senso solidário é perdido.

As observações de Ibn Khaldun são perceptíveis mesmo nos dias de hoje, como é fácil perceber que nações sem um propósito comum são facilmente divididas e despendem parte de seus esforços com distrações de pouca relevância, um reflexo desta mediocridade também é visto em seus indivíduos, que possuem um desequilíbrio em ponderar os interesses individuais aos comuns.

A grande questão é como definir um forte propósito para uma nação? Países como os EUA nasceram da vontade em se criar uma sociedade mais igualitária e produtiva em contraponto ao Monarquismo Absolutista de sua época, outros como a Alemanha, da unificação de povos em busca de uma sinergia e algo maior; tantos outros de uma religião e crença comum ou para na busca de proteção contra um inimigo forte.

A presença de governantes fortes e inspiradores é essencial para a fundação, manutenção e prosperidade de uma sociedade, e tão importante quanto a criação deste propósito consiste em manter a chama viva mesmo após séculos para que o tempo ou o tamanho não permita seu esquecimento ou enfraquecimento. A sociedade é, em parte, reflexo de sua história e suas lideranças políticas.

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