Adam Ferguson (1723-1816)

sociology

A humanidade caminhou ou assentou, chegou a acordos e conflitos em grupos.

“O Homem nasce em sociedade, e assim permanece…” [Montesquieu]

“Em um Estado de Livre Comércio, apesar de qualquer pretensão de direitos iguais, a exaltação de alguns vai abater a de muitos. [Adam Ferguson]

Renomado Iluminista escocês, juntamente com David Hume e Adam Smith se contrapôs ao entusiasmo para com o sistema de livre mercado de sua época, ponderando que o inevitável e desejável progresso poderia ter como efeito colateral um custo social que poderia vir a suprimir todos os benefícios.

Adam Ferguson fora mais cético para com o pensamento leissez faire de sua época, e apesar de ver com bons olhos o progresso resultante do avanço econômico, ponderou quanto ao custo social que uma sociedade movida pelo interesse próprio poderia causar à Humanidade, que como espécie fora suportada por um modelo familiar onde companheirismo, lealdade e honra eram os valores mais buscados.

Segundo o sociólogo, o Capitalismo direcionaria toda a sociedade a uma busca incessável pelos próprios interesses, o que levaria os valores culturais a perderem força e um consequente colapso social. Uma alternativa para esta tendência autodestrutiva consistira em cultivar junto com o modelo econômico o senso de espírito cívico levando o individuo a focar nos interesses da sociedade onde vive ao invés de apenas nos próprios.

O frenesi com a queda do Absolutismo, aliado a exploração de novas colônias e a integração comercial das nações acabou por empurrar o pensamento de Ferguson à margem das grandes publicações de sua época, e mesmo David Hume e Adam Smith que eram próximos do sociólogo não compartilharam das preocupações existentes. No entanto, seus trabalhos  influenciaram os Alemães Hegel e Marx que passaram a analisar o sistema econômico não apenas por suas positividades, mas sim pelos seus efeitos colaterais.

Talvez por não ter um compromisso com o resultado econômico e o progresso industrial, e por focar na formação social em si, Adam Ferguson pode ter uma visão mais cristalina e imparcial do Capitalismo. E é inegável que suas observações foram certeiras tendo em vista as duas Grandes Guerras que sucederam o grande período de crescimento e expansão econômicos, ainda mais se ponderado o comportamento focado em consumo da sociedade atual.

Notório também, que chegamos ao ponto onde os valores atrelados ao companheirismo, lealdade e honra foram há muito substituídos pelo interesse próprio e o resultado financeiro onde os fins justificam os meios. Os interesses econômicos se tornaram tão preponderante que qualquer decisão de âmbito social, ecológico e até mesmo intelectual é sempre contra-balanceado quanto ao impacto na capacidade comercial bem como os índices de desenvolvimento.

Enquanto o fim da sociedade, como resultado direto da semente autodestrutiva do capitalismo não chega, e o impacto ambiental está distante do apocalipse dos livros de ficções a humanidade continua caminhando em grupo, vagando, assentando, semeando guerras entre período de paz; uma mistura de emoções de algumas vezes maravilhada, outras tantas chocada com os avanços científicos e os retrocessos sociais.

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