Richard Sennett (1943-)

As ferramentas de liberdade se tornam fontes de indignidade.

“Tais práticas (da industrialização) brutalmente diminuem o senso de importância da pessoa.” [Richard Sennett]

“Você não entende como vinhos são feitos bebendo um monte deles.” [Richard Sennett]

Após ter sua carreira musical interrompida por uma cirurgia se dedicou a sociologia. Lecionou em Yale e London Scholl of Economics, fundou o Instituto para Humanidade em Nova York. Ficou famoso com sua obra The Hidden Injuries of Class publicado em 1972.

A narrativa de que a classe era definida pela renda da pessoa, e que ao ver está sendo aumentado não só desfrutaria de uma vida melhor mas também de uma vida mais digna foi questionada pelo autor em suas pesquisas que apontaram que os trabalhadores que puderam se mover socialmente devido a renda na verdade perderam grande parte do respeito próprio e portanto de sua dignidade.

O crescimento das cidades resultante da migração dos campos e a crescente chegada de imigrantes aos EUA que trabalhavam por remunerações baixíssimas levaram os industriais a concentrar o investimento em automação para substituir uma mão de obra mais cara, aumentando o xenofobismo, racismo e preconceito para com os imigrantes. Esta separação levaram os imigrantes a encontrar suporte apenas em seus compatriotas dando forma ao nascimento das Comunidades Étnicas.

Segundo o autor a constante pressão para que a classe trabalhadora se tornasse educada e culta cresceu como sendo a única forma de conseguir respeito ao mesmo passo que se trazia o conflito de quem sempre valorizou o trabalho físico e agora se via perseguindo por vagas cômodas e o trabalho “não real” de quem fica no escritório “dando canetadas”.

Somado a isto a mobilidade social restrita trazia a sensação de traição e deslocamento, já que os novos emergentes se viam desprezados pela classe média ao mesmo ponto que se viam como traidores da classe trabalhadora uma vez que muitos colegas e familiares haviam ficado para trás por desmerecimento próprio, um enfoque sistêmico para explicar um mundo dito meritocrático.

Segundo o autor as mesmas ferramentas que prometiam liberdade e uma vida melhor, ou seja, a educação, era a responsável por causar constrangimento, sentimento de culpa e perda da dignidade. Com o aumento das atividades no setor Terciário e salários comparáveis com as do chão de fábrica industrial, esta percepção de que o trabalho físico é o único trabalho de verdade se arrefeceu.

Apesar de uma mobilidade ainda restrita e o fato inegável que ao emergir em uma sociedade seu círculo de relacionamento será abalado, o sentimento de culpabilidade foi reduzido pelo consumo de produtos e serviços que trazem diferenciação, bem como a prolongação desta metamorfose que passou a ser realizada em passos através de uma ou mais gerações.

Interessante também, a observação de que a educação como processo de mobilidade social têm sido vendida há longas datas, e que desde então esta tem se tornada mais cara e inacessível. O processo de mobilidade social têm sido cada vez mais vendido como uma forma de se “safar” do buraco e não como um processo de empatia para que a sociedade avance de forma mais uniforme e igual.

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