R.W. Connell (1944-)

Os interesses do homem no patriarcado estão consolidado na masculinidade hegemônica.

“Em termos simbólicos e práticos. A defesa do porte de arma é a defesa da masculinidade hegemônica.” [R.W. Connell]

“Um tema familiar comum no patriarcado consiste em afirmar que homens são racionais enquanto mulheres são emocionais. E isto é um assunto selado na filosofia ocidental” [R.W. Connell]

Transexual nascido na Austrália se formou em Sociologia, estudou a construção social masculina além de ter se dedicado ao estudo da pobreza, educação e bias científico na cultura ocidental.

R.W. Connell percebeu que a masculinidade, apesar de defendida como algo estático e imutável, é na verdade o resultado de uma construção social, uma identidade adquirida. Mostrou em uma análise histórica que a masculinidade, como definição do que é ser homem, nunca foi constante e variou durante a história e dentre as diversas culturas.

A autora argumentou que dentre as diversas formas de masculinidade existe uma hierarquia, e aquela hegemônica é a que será utilizada como referência para subjugar as outras tendo como foco enaltecer a preponderante. Citou como exemplo outras formas de masculinidade em que o homem é exposto ao ridículo e humilhado como é o caso dos homossexuais que mostram mais traços de “feminilidade”.

O resultado de séculos de masculinidade não poderia ser diferente, criou-se uma cultura onde os homens possuem dominância sobre as mulheres, esta que foi propagada durante o período de colonialismo e agora pela globalização. A mídia enaltece a masculinidade promovendo empresários bilionários firmes e racionais ao mesmo tempo que destaca estrelas do esporte como fortalezas físicas.

Connell observou que as mulheres contribuem para com esta hegemonia se permanecendo leais as religiões, histórias, romances e aceitando um papel primário de geradora de crianças. Concluiu que a masculinidade é algo dinâmico e sempre esteve sob mudança, portanto, é papel de todos batalhar para que esta hegemonia abra mais igualdade para as mulheres e outras formas de masculinidade de uma forma positiva.

A mudança história da masculinidade realmente é gritante, grande parte dos “machões” de hoje seriam tratados e considerados “afeminados” quando comparados com os menos viris dos homens de um século atrás, o que torna inútil qualquer argumento que tente justificar esta hegemonia como algo positivo.

Se  você homem, algum dia se pegar perplexo por vivenciar uma mulher que é mais decidida e firme, ou ironizar um homem mais afeminado, não se esqueça, que tudo não se passa de uma construção social em sua cabeça, ideia esta fortalecida por uma massa de pessoas criada em núcleos familiares da mesma forma, tornando-o um conceito hegemônico. Se subjugar os outro lhe faz sentir melhor não esqueça que há alguns anos serias considerado “doutor” com “mãos de princesa”.

Se você mulher, se assusta com aquelas decididas e firmes que se comportam como homens, não esqueça que esta é apenas uma forma de competir com a virilidade e racionalidade da masculinidade hegemônica atual. Interessante notar que o homem tem caminhado a passos mais largos em direção ao “feminino” quando comparado as mulheres ao “masculino”. O fim da masculinidade hegemônica como conhecemos hoje é, muito provável, um processo irreversível, mas ele atingirá o equilíbrio muito mais pela “feminilização” do homem do que a “masculinização” da mulher.

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