Bell Hooks (1952-)

A mulher branca tem sido cúmplice do patriarcado capitalista, supremacista branco e imperialista.

“Para as mulheres negras estava claro… que elas nunca teriam equidade dentro do modelo patriarcado, capitalista, imperialista, supremacista branco.” [Bell Hooks]

“Feminismo é um movimento para acabar com o sexismo, exploração sexual e opressão.” [Bell Hooks]

Nascida nos EUA, Gloria Jean Watkins adotou o pseudônimo de sua avó Bell Hooks como homenagem a mulher de personalidade forte e que não engolia palavras. Estudou em escolas racialmente segregadas até o colégio, formou-se em Standford, lecionou ética na USC e foi uma proeminente autora com mais de 30 publicações.

Bell Hooks criticou a segunda onda de feminismo que ocorreu entre 1960 e 1980, segundo a autora a agenda consistia em debater problemas feministas de uma elite branca burguesa que buscava igualdade legais, sexualidade, estupro, família e trabalho. Algo distante dos reais problemas que as mulheres negras trabalhadoras realmente enfrentavam.

Se apoiou no conceito de “interseccionalidade” onde a discriminação possuía diversas dimensões: raça, gênero, classe social e limitações e que em muitos casos o preconceito era uma colisão simultânea destas. Cunhou o termo “patriarcado capitalista, supremacista branco imperialista” como forma de descrever como todas estas dimensões eram utilizadas em conjunto para sufocar o outro lado da balança.

Em sua época já reconhecia que a quantidade de pessoas explicitamente racistas haviam sido reduzidas devido ao consenso da estupidez que o assunto representava, contudo aceitar que existia uma crença que desqualificava pessoas de outras raças ainda era um tabu a ser vencido e isto explicava porque um médico hispânico ou indiano era visto como inferior quando comparado há um americano ou europeu branco.

O capitalismo sufocava o trabalhador e os pobres colocando o dinheiro e as conquistas individuais à frente de qualquer bem coletivo, enquanto o imperialismo fortalecia e legalizava a exploração de outros países a qualquer custo desde que trouxessem resultados financeiros e conquistas individuais.

Mencionou que a opressão do patriarcado começou desde a infância onde aprendem que Deus era um Homem e criou outro a sua semelhança para gerir o mundo enquanto a mulher tinha como principal papel suportá-lo nesta missão.  Reforçou que um dos principais problemas do patriarcado era o silêncio ensurdecedor com que ele era tratado, ele simplesmente fazia parte da pauta e do vocabulário de poucos homens. Garotos simplesmente seguiam os exemplos dos pais enquanto as garotas o exemplo das mães.

A lógica da autora consistia no fato de que a luta por direito a igualdade dos homens não traria benefício, pois a mulher negra ao se igualar ao homem negro continuaria sendo discriminada. Conceituou que a luta de igualdade se tratava em emancipar uma parcela das mulheres, as brancas, e, portanto, estas não expandiam o horizonte de sua luta já que mantinham outros privilégios. Seu célebre questionamento foi: “Que tipo de homem as mulheres querem o direito de serem iguais?”

Mencionou que não dar devida atenção a todos estes espectros era em muitos casos o reflexo da ignorância, uma vez que a mulher branca desconhecia a realidade de outras raças. Afirmou que muitas mulheres preferiam não assumir a “tarja” de feminista para evitar o confronto com homens pois assim aprenderam desde criança, e que a solução do problema passava por entender que o problema não são os homens, mas o patriarcado em si.

Concluiu que a luta do movimento feminista não pode ser vista separada de outras lutas contra a desigualdade, ou seja, o feminismo era um movimento político e não uma luta romântica pela personificação da liberdade feminina, uma vez que esta traz benefícios apenas para uma parcela privilegiada de mulheres.

O jargão “patriarcado capitalista, supremacista branco e imperialista” parece longo e cansativo, mas na verdade é uma síntese bem importante do mundo atual. Uma mulher branca de classe média ou classe alta almejaria ter a posição de um operário negro? Apesar de ter chamado atenção ao foco da luta do feminismo é possível imaginar como a autora encaixaria o homem nesta luta, algo não muito honrável.

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