Sylvia Walby (1953-)

O conceito de patriarcado é indispensável para análise da desigualdade de gênero.

“Quando o patriarcado perde força em uma área ele se reforça em outras.” [Sylvia Walby]

“A violência contra a mulher é suficientemente comum e repetitiva para ser considerado algo socialmente estrutural.” [Sylvia Walby]

Socióloga britânica graduada na Universidade de Essex atuou nas áreas da violência doméstica, patriarcado, relações entre gêneros e globalização. Presidiu a Associação Sociológica Europeia e liderou um programa na UNESCO quanto a desigualdade de gênero. Foi condecorada com a Order of the British Empire por suas contribuições e atualmente trabalha como professora.

Segunda a autor a primeira onda de movimentos feministas foi limitada a esfera privada, pois a Mulher estava confinada dentro de casa, ou seja, era domesticada. Foi caracterizada, portanto, em exigir à educação, voto, trabalho e criminalização da violência doméstica.

Ao contrário de suas antecessoras, Sylvia identificou que o Patriarcado não possuía uma raiz única e cultural, ao invés era uma força complexa composta por seis grandes frentes estruturais: o Lar, o Trabalho, o Estado, a Violência, a Sexualidade e a Cultura.

A estrutura do Lar é o trabalho doméstico não remunerado onde a mulher se coloca em seu lugar e é similar a exploração sofrida entre burguesia e proletariado na luta de classes. A estrutura do Trabalho foi a responsável por segregar a mulher verticalmente com trabalhos de menor importância e horizontalmente limitando as áreas de atuações ditas “femininas”. A estrutura do Estado é utilizada para legislar de forma a beneficiar os homens ou explicitamente contra as mulheres e atuava principalmente para garantir a “domesticalização” da mulher.

A estrutura da Violência é a que normalizada qualquer ato contra a mulher, seja por parte do marido ou da família, ou em casos menos ruins que criminaliza a violência, mas dificulta conseguir seus direitos. A estrutura da Sexualidade foi a responsável por transformar a mulher em objetos de desejo, aqui amparada pelo Estado que praticamente aboliu qualquer lei de exploração sexual da mulher.

A última estrutura é a Cultura, que através da religião, educação e mídia retira a mulher das posições de destaque e liderança, subjugando e as prendendo em seu “devido lugar”, pois esta posição seria a mais adequada e natural a elas.

Em seus estudos concluiu que as mulheres que escapam da primeira “prisão” do Patriarcado, ou seja, conseguem um trabalho e o direito de serem independentes são lançadas diretamente para as outras estruturas, as colocando em uma jornada de luta interminável. Ou seja, a mulher ocidental se viu livre do Patriarcado privado, onde seu marido, irmãos ou pais as exploravam e se lançou na exploração do mercado de trabalho também patriarcal, que a imita os mesmos conceitos.

A autora mencionou as duas faces de contra-ataque do Patriarcado, a primeira a que o considera estrutural colocando as mulheres como vítimas e o outro que o considera individual, e é o que coloca a mulher como condizente com a sua situação. Finalizou mencionando que o progresso contra uma sociedade patriarcal depende não só da luta contra as amarras estruturais, mas também pela transformação da mulher.

Certa vez comentei que “contrapartida do capitalismo para o movimento de libertação do feminino foi uso das mulheres de forma deliberada”, mas jamais conseguiria imaginar todas as estruturas como desmembradas pela autora. A relação homem e mulher é semelhante a senhor escravo, dono e empregado, é o dominante usufruindo do trabalho do outrem e ainda gritando aos quatro cantos que está fazendo um bem para a sociedade.

O mais importante ainda consiste em desenvolver mecanismos e estruturas que auxiliem a mulher a prosseguir em sua transformação. Uma sociedade onde economicamente poucos possuem direito a usufruir de bens e serviços e apenas metade é livre está longe de um mundo capaz de explorar seu potencial.

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