Henri Lefebvre (1901-1991)

A Liberdade de remodelar as cidades e nós mesmos.

“A Sociedade precisa mudar! Isto não significa nada sem a criação de um espaço apropriado.” [Henri Lefebvre]

É necessário pressão da camada social mais baixa que confronte o Estado em como os espaços urbanos são organizados.” [Henri Lefebvre]

Nascido na França, estudou filosofia e foi um dos marxistas mais influentes na sociedade francesa, se filiou ao partido Comunista do qual se tornou ferrenho crítico após ser expulso. Foi um proeminente escritos que publicou diversos trabalhos confrontando as autoridades e o poder financeiro tendo influenciado diversas áreas do conhecimento como geografia, política, filosofia e arquitetura.

Henri Lefevre destacou como as cidades e os centros urbanos eram construídos pelo Estado para favorecer a Revolução Industrial e o modelo Capitalista que estava tomando conta dos EUA e Europa, reforçou que as cidades eram construídas seguindo a ideia de classes levantadas por Marx onde os detentores de poder e riqueza viviam em construções opulentes enquanto a classe trabalhadora se aglomerava em guetos.

O autor destacou que grande parte das áreas urbanas foram tomadas pela iniciativa privada através da construção de manufaturas, shoppings e condomínios todas com o único objetivo de dar lucro e excluir a classe trabalhadora do acesso a estes. E este modelo traria muitas consequências negativas pois ao excluir o trabalhador de um espaço público onde possa interagir com uma classe mais rica se criaria um abismo ainda maior entre as classes o que levaria ao aumento de criminalidade, mendicância, exclusão social e pobreza.

Para resolver o problema seria necessário um debate público onde todos tenham voz enquanto se define como será utilizado o espaço público, ao invés do modelo atual onde uma minoria de pessoas com acesso ao poder ou a riqueza conseguem dirigir quase que todo programa de urbanização.

Seria indispensável que as cidades fossem construídas para que as pessoas possam exercer sua liberdade e criatividade bem como prover lazer e potencializar o inter-relacionamento ao invés de se focar em ambientes comerciais abarrotados de propaganda, que excluem àqueles sem capacidade financeira para um consumismo exagerado e promovem a individualização.

Cidades como Curitiba são um exemplo no Brasil, a quantidade de parques e a abertura do mesmo ao público permite um lazer mais igualitário que São Paulo onde a opção de lazer de muitos é comer uma pizza na praça de alimentação do shopping e comprar uma casquinha no McDonald, onde os parques são poucos e distantes, se tornando praticamente inacessível para uma grande parcela da população.

Acredito que a Europa tenho muito a ensinar neste aspecto, é raro, um bairro que não tenha um bom e decente parque, onde pessoas se encontram, se divertem, se sentem livres. Existe espaço para crianças brincarem e aprenderem a compartilhar desde cedo seus brinquedos enquanto pais das mais diversas classes sociais se encontram e são obrigados pelo menos a trocar um olá, um olhar e um sorriso.

Ainda se está longe de um modelo voltado para as pessoas, a prioridade das cidades mesmo nos países que mais prezam um bem estar social ainda são dirigidos e dominados pelo aspecto financeiro e econômico, mas como o pouco faz tanta diferença. Viver em uma cidade que foi construída par as pessoas e não para carros é essencial para uma vida mais agradável.

Discordo do autor ao acreditar que a população de mais baixa renda, ao ter direito a decidir em como os centros são construídos traria alguma mudança. Será que as pessoas prefeririam um parque ou um centro comercial capaz de gerar empregos? O importante é criar um mecanismo de compensação, onde se equilibre o avanço econômico com o avanço social, para cada shopping um parque, para cada condomínio pomposo, residências conjuntas para a camada menos favorecida.

Não vejo com bons olhos, também a exploração econômica dos parques, o parque não pode se tornar um shopping ao céu aberto, o foco é a interação entre as pessoas, e não a diferenciação de classes pelo consumo

3 comentários em “Henri Lefebvre (1901-1991)

  1. Mas Giscard, não é justamente a pluraridade de idéias que podem fazer com que a classe social menos favorecida decidindo sobre como a cidade seria construída, não traria exatamente a visão de uma cidade para pessoas e não para carros?

    Não estou dizendo que resolveria, mas trazendo diferentes pontos devista, com certeza as pessoas de menor renda poderiam por exemplo, morrar perto de seus empregos e não depender tanto de transporte motorizado para deslocamento pois, como exemplo de como é aqui, grande parte da riqueza gerada esta no centro da cidade, mas a grande mão de obra barata mora longe do centro. E tenho certeza que prefeririam não ter que pegar 2 horas de transito todos os dias pra isso.

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    1. E aí Wendel, então eu sou meio cético de que uma participação popular realmente traria benefícios para a camada mais pobre, uma vez que esta classe está buscando ascensão e não qualidade de vida. E não coloco isso como culpa deles, a máquia (ou o sistema) praticamente pressiona todos para isso.

      Soa presunçoso falar assim, pois é como dizer, quem é pobre não sabe o que é bom para ele. Mas a minha percepção é a de que as pessoas mais pobres priorizariam se enquadrar na sociedade atual e não ter uma vida de maior qualidade. Ou seja, eles querem poder consumir, enquanto a classe que já possui poder de compra, e por já consumir em excesso, é quem puxa esta parte menos “consumerizada” da urbanização.

      Por exemplo, quando ia em alguns parques no Brasil era fácil perceber que lá era um espaço não de pessoas da classe trabalhadora, era muito mais classe média e classe média alta. Aqui não saberia dizer, pois realmente é mais difícil diferenciar as pessoas só pelas roupas ou aparência já que o poder de compra é maior, ou seja, o básico a maioria tem.

      De qualquer jeito acho que assumir isto e não trazer todos para a participação não é correto, afinal de contas esta deve ser a essência da democracia, e sabemos que no modelo de urbanização atual pra onde a balança está pendendo, não precisa muito esforço, é só olhar para as cidades.

      Não podemos esquecer também que o modelo que temos hoje de urbanização não é uma culpa de empresários, ele foi evoluindo de forma a estimular o consumo e a produção, que beneficiam todos, claro que muito mais os empresários. Por exemplo comércios no centro fazem mais sentido pois é onde se aglomeram as pessoas, é por isso que os subúrbios não possuem tanto, o mesmo vale para os empregos, no centro é mais fácil conseguir empregados de todas regiões, se a empresa se instalar num subúrbio ela fica restrita as pessoas que ali moram.

      Valeu por participar.

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      1. Interessante, não tinha chegado a pensar nesse ponto.

        Seguindo sua linha de raciocínio mas partindo do príncípio que qualidade de vida é em boa parte uma percepção pessoal, um indivíduo de uma classe mais pobre querer, como você mesmo citou, priorizar se enquadrar na sociedade atual, não seria o equivalente de buscar melhoria de qualidade de vida?

        Exemplo: uma pessoa pode considerar que ter ciclovias são mais importantes para uma cidade pois traz mobilidade com segurança e livra do estresse que é enfrentar transito. Para outra pessoa é ter poder de aquisição para poder comprar um carro e enfrentar o mesmo transito com conforto. Vejo que esse ambos tipos de decisão pode ser tomada por qualquer pessoa independente da quasse na qual esteja enquadrada.

        Mas além disso tudo, o que você citou da democracia é o que eu acho o mais relevante. Eu tenho muitos problemas em aceitar que um “grupo de notáveis” detenha esse tipo de poder.

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