Jane Jacobs (1916-2006)

É preciso ter pessoas nas ruas.

“Nós esperamos demais das grandes construções e muito pouco de nós mesmos.” [Jane Jacobs]

“Não se pode esperar que as pessoas venham para os centros, é necessário colocá-las lá.” [Jane Jacobs]

Escritora e urbanista americana, se mudou para Nova Iorque onde se dedicou a descrever a vida nas cidades e criticar o modelo “top-down” de planejamento urbano. Foi crítica e defensora de um modelo de urbanização centrada na comunidade, o que rendeu uma premiação nacional para projetos de urbanização que leva o seu nome..

Jane Jacobs foi uma crítica ferrenha do modelo de urbanização que ocorria intensamente nas grandes metrópoles americanas, segunda a autora existia uma tremenda inclinação em se dar fim a guetos e moradias populares no centro para dar lugar a grandes construções, e que este modelo de urbanização planejado por tecnocratas e executadas por grandes empreiteiras deveria ser substituído por um modelo onde regiões cresceriam naturalmente moldando e adaptando-se pelas pessoas da comunidade em si.

Era defensora de uma cidade que priorizasse as pessoas, onde elas possam andar e se interagir, onde conhecer estranhos e colidir com o inesperado criaria um ambiente frutífero e criativo. Um modelo onde se colocaria as pessoas e não os carros como epicentro das cidades criaria um ambiente mais familiar para cada indivíduo o que os levaria a conhecer melhor sua vizinhança a tornando muito mais segura e vigilante.

A autora mencionou também, que não se deveria criar bolsões de moradias e comércios, separados uns dos outros, e que estes deveriam coexistir próximos, indo mais além afirmou que as construções antigas não deveriam ser extintas em troca do moderno e do novo, estas também deveriam coexistir deixando que as pessoas da comunidade em si decidam como e quando estas serão aproveitadas ou reutilizadas.

Não existe dúvida de que o meio modela o indivíduo, e que a recíproca apesar de verdadeira é limitada a poucas pessoas que possuem o acesso e influência das instituições necessárias. As cidades se tornaram espaços para carros e a impessoalidade, o encontro e choque de culturas e pessoas ficaram restritos aos fins de semana, quando alguns decidem por sair dos subúrbios.

É decepcionante também, imaginar que nem o lugar onde moramos por décadas é de fato uma escolha livre, e sim uma imposição de planejamento urbano, e que nos limitamos a bolhas de casa e trabalho perdendo horas em locomoções ao invés de desfrutar a possibilidade de conhecer alguém surpreendente.

Estamos como sociedade cada vez mais evoluindo a passos largos na ciência e tecnologia – como resultado do foco e produtividade no trabalho – enquanto avançamos a passos curtos como Ser que relaciona e se descobre – como resultado da interação superficial – e isto vai cada vez mais centralizar as decisões de maior impacto nas mãos do Estado e de pessoas que nele possuem poder de influência. Trabalhamos para dar ferramentas e poder, para que poucos decidam por quase todos os aspectos que influencia e molda as nossas vidas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s