Amitai Etzioni (1929-)

A sociedade deve articular o que é bom.

“Uma comunidade responsiva é aquela onde os padrões morais reflete a necessidade humana básica de seus membros.” [Amitai Etzioni]

“O desequilíbrio entre direitos e responsabilidades existiram por tempo demais.” [Amitai Etzioni]

Nascido na Alemanha em 1929, se mudou para a Palestina com 7 anos, se graduou na Universidade Hebraica de Jerusalém e obteve seu doutorado em Berkeley, onde atuou por 20 anos. Atualmente leciona e ocupa o cargo de diretor de Estudos Políticos Comunitários na Universidade de George Washington.

Amitai Etzioni notou que o modelo americanos pós Segunda Guerra – responsável por mobilidade social, prosperidade e uma inconformidade social que resultou nos movimentos pelos Direitos Civis, Feminismo e oposição a Guerra do Vietnã – começou a desmoronar a partir da década de 70, onde a crise do petróleo levou a uma política de individualismo e liberdade econômica. E que para contrabalancear esta ruptura seria necessário urgentemente desenvolver um modelo social comunitário que resgataria os valores das pessoas.

Definiu um modelo chamado Comunitarismo que buscaria resgatar o senso de responsabilidade do individuo sem expô-lo ao risco de uma comunidade autoritária. Citou que uma das primeiras coisas a se resgatar seria o entendimento de que não basta o individuo concordar com as regras da sociedade onde vive e sim trabalhar e se dedicar para torná-los mais fortes.

A formação de uma comunidade forte deveria ser baseada em 4 pilares, o primeiro consiste em uma Voz Moral, esta seria responsável por garantir que os membros da comunidade seguiriam os comportamentos morais esperados sem a necessidade de grande intervenção ou legislação.

O segundo consiste na Família Comunitária, onde a responsabilidade pelo desenvolvimento de uma criança não recaia apenas aos pais e sim seja uma responsabilidade de toda a comunidade. Os pais teriam o dever de dar o seu melhor na criação de seus filhos enquanto a comunidade seria responsável por amparar e prover os recursos necessários.

O terceiro pilar, a Escola Comunitária, seria responsável não apenas por ensinar habilidades técnicas para as crianças, mas em garantir uma boa formação de caráter, estabilidade pessoal, senso de propósito e capacidade de renegar impulsos imediatistas individuais em detrimento de um benefício coletivo, inclusive citando que a necessidade de um serviço nacional que ajudaria os jovens a terem disciplina e senso de grupo.

Por fim seria necessário criar um Ambiente Comunitário onde o individuo reflete e entende o impacto de seus atos para a comunidade como um todo, sejam estes positivos e negativos, tomando assim suas ações de modo a contribuir e prover valor de volta para sua comunidade.

Os trabalhos de Etzioni recebeu críticas de movimentos feministas, que o apontaram como uma tentativa de inviabilizar a crescente luta pela liberdade da mulher e por propor um modelo cuja solução passe por uma sociedade pouco individualista, justamente o problema a ser combatido.

Independente das críticas se tornou um modelo perseguido por diversas visões políticas, principalmente na Europa devido ao apelo de exercer a cidadania como algo a ser conquistado através do atendimento de expectativas e cumprimento de obrigações.

Décadas se passaram desde que o Comunitarismo fora proposto como alternativa para o excessivo individualismo e liberalismo econômico, e é fácil perceber qual modelo avançou a passos largos e qual ficou para trás.

Interessante que ao buscar individualidade e liberdade econômica em um sistema que promove e alimenta a desigualdade o que se tem como resultado é um Estado cada vez maior e burocrático, que por sua vez requer mais recursos o que significa mais impostos.

O tamanho de um Estado é inversamente proporcional ao senso comunitário dos indivíduos que a ele pertence, quanto menos as pessoas se preocupam uns com os outros, maior será o número de pessoas excluídas, e por consequência maior será o Estado. Importante se atentar, principalmente em época de eleições, que as promessas de um Estado menor não passam de um conto do vigário desde a Revolução Francesa, e o Estado só tem aumentado desde então pois as pessoas querem a liberdade de viver sua vida sem se preocupar com os outros. Se queres menos Estado trate de votar em quem vai trazer o senso comunitário para a cidade onde vive, quando o indivíduo é engajado o Estado perde representatividade

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