Zygmunt Bauman

Esqueça a totalidade, estamos no mundo da Modernidade Líquida.

“Se o seu valor está nas coisas que você compra, ser excluído é humilhante.” [Zygmunt Bauman]

“Comunidade é hoje um outro nome para paraíso perdido.” [Zygmunt Bauman]

Forçado a mudar para a União Soviética depois da invasão Nazista da Polônia, serviu a divisão polonesa do Exército Vermelho antes de se mudar para Israel. Mudou-se para Inglaterra onde lecionou Sociologia na Universidade de Leeds, é autor de mais de 40 livros e ganhador de diversos prêmios, inclusive um documentário pessoal chamado The Trouble With Being Human These Days.

Para Zygmunt Bauman a sociedade moderna do século XIX – moldada pelos centros urbanos, racionalização, industrialização e capitalismo – começou a ser substituída por um novo comportamento totalmente dinâmico batizado de Modernidade Líquida, ou seja, sem forma, contínua e imprevisível.

Em contrapartida à Modernidade Líquida o período anterior nomeado Modernidade Sólida teve como principal característica mudanças previsíveis e burocráticas, já que mecanismos e organizações rígidas eram as principais ferramentas para progresso e solução de problema. Foi também durante este período que o iluminismo se reforçou suportado pelo Estado onde os indivíduos eram rotulados com base em seu cargo, religião, etnia, gênero ou nacionalidade.

Segundo o autor o estado sólido começou a mudar quando uma perseguição obsessiva e compulsiva em reinventar o mundo tomou conta da sociedade, os Estados-Nações perderam parte do poder para corporações transnacionais, enquanto tecnologias como a Internet conectaram o mundo todo, impulsionados pela já crescente onda de migração.

Ao contrário do período sólido, facilmente definido, a liquidez não é tão simplesmente descrita, contudo esta possuí características que a sustentam, sendo destaque o ceticismo para com os cientistas e a ciência que deixa de ser visto como a solucionadora de todos os problemas e passa a ser identificada como parte responsável do mesmo, temos também o crescente risco de desemprego e a volatilidade nos benefícios sociais como moradia, educação e saúde, até então considerados uma certeza.

Na esfera do indivíduo, a liquidez se caracterizou pela mudança da produção para o consumo, onde a identidade da pessoa não está mais relacionada ao trabalho, família ou religião e sim ao consumo. Ao passar a ser caracterizado pelo que consome como bem ou serviço e não o que é ou faz as pessoas encontram dificuldades em se definir e passam a ter de recorrer constantemente a ajudas através de coaches e gurus, terapistas e psicanalistas ou especialistas em encontrar uma vida plena e saudável.

Toda esta indefinição e imprevisibilidade confunde o indivíduo se tornando causa de ansiedade e inquietação, para piorar ainda mais a mobilidade e flexibilidade, algo mentalmente caro, passam a ser essencial para uma vida bem sucedida onde a mudança é a única certeza.

Na visão do sociólogo a necessidade de mobilidade e flexibilidade criaram dois grupos de indivíduos: os Turistas são aqueles que se beneficiam da liquidez pois possuem mobilidade e conhecimento para migrarem para os lugares de melhores oportunidades enquanto os Vabgabundos são aqueles que restritos ao ambiente atual são condenados a viverem em lugares mais pobres ou recorrer a migrações ilegais ou viver como refugiados em um ambiente que não lhes permanecem acolhedor por longo tempo.

Considerados um dos sociólogos de maior contribuição para o período pós-moderno, suas observações têm servido as mais diversas áreas de interesse, da ética, mídia, política e cultura ao mercado de consumo; com destaque ao uso do crédito como meio para que o individuo possa construir sua identidade apoiado a uma marca, ou facilitando a dinamicidade do consumo e remodelagem do individuo enquanto continua na sua jornada de definição da própria identidade.

Interessante que o pensamento vigente e, portanto, o elitizado – no sentido de que o que o define é quem prosperou – prega a incerteza e a dinâmica como algo a ser valorizado e para o qual se deve ter orgulho. Contudo, não podemos esquecer que por definição a elite exclui a maioria e que uma vida sem as certezas mais básicas pode afetar de forma negativa e irreversível grande parte da população necessária para sustentar a o mundo que vivemos.

Muito bacana também perceber como as pessoas se amparam em marcas para construir sua identidade, já que é muito mais fácil se definir por um conjunto de produtos e estilo de vida pré-concebido por especialistas do que construir seu próprio modelo em meio ao um turbilhão de mudanças, e como ferramentas como o cartão de crédito se tornam fundamental, além extremamente lucrativa, para a construção do Ser Humano neste novo estágio.

Não atoa o controle pelas formas de pagamento estão na mira de grandes empresas que investem pesado e endereçam grande esforço para ter seu espaço no mercado, ter controle sobre o meio de pagamentos e crédito não é apenas um meio de monetizar o presente, e sim de garantir a definição do próprio indivíduo no futuro.

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