Roland Robertson

Assuntos globais, perspectivas locais.

“Culturas locais adaptam e refinam culturas globais para que atendam suas necessidades, crenças e costumes.” [Roland Robertson]

“Glocalização funciona melhore para empresas com autoridade descentralizada.” [Geert Hofstede]

Britânico, nascido em 1938 se tornou famoso por ter abordado a interconectividade mundial por uma perspectiva psico-social e não apenas material. Lecionou nas Universidades de Aberdeen e Pittsburg e ficou reconhecido por ter cunhado os termos globalização e glocalização.

Roland Robertson percebeu que a globalização não apenas estava criando um mercado comum global para o fluxo material de produtos e serviços, mas também estava criando uma cultura e identidade homogênea majoritariamente influenciada pelas potências ocidentais.

Em sua perspectiva este fluxo dificilmente resultaria em uma cultura ou identidade única, pois assim como produtos e serviços eram adaptados localmente o mesmo também ocorreria com as crenças e costumes através de um processo de adaptação denominado glocalização.

Devido a este “choque” e “mistura” o processo de globalização ao invés de limitar e restringir impondo um pensamento único a sociedade, na verdade acabaria por alimentar um processo criativo de adaptação que teria na cultura ocidental uma espinha dorsal com diversas ramificações locais.

O autor também destacou que o processo de globalização seria impactado por quatro dimensões distintas: a primeira consiste no senso comum de humanidade onde as pessoas se identificariam com as outras pela sua orientação sexual, etnia, raça; a segunda consiste nas formações sociais influenciadas pela nação, onde a identidade ocorreria pelo senso de nacionalismo; a terceira se daria pelas formações sociais onde pessoas se identificariam pela religião, time de futebol, estilo musical; e por fim a quarta se daria a nível individual.

A obviedade com que as ideias de Roland se encaixam no mundo de hoje reforçam ainda mais a quão assertiva foram suas previsões, produtos de sucesso globais não tardam a serem adaptados para culturas locais abrindo espaço para um empreendedorismo de menor risco, uma vez que ao copiar uma ideia mundialmente consolidada a chance de não sucesso é bastante reduzida com o adicional da certeza que existe espaço no mercado tanto para o produto global e local.

Naturalmente as potências ocidentais são quem mais se beneficiam deste processo, pois ditam as tendências, se beneficiam da escala mundial pois são as primeiras a adaptarem seus produtos, contudo neste processo são criadas milhares de oportunidades trazendo a luz uma nova classe de empreendedor, àqueles “de segunda linha” que podem copiar e se arriscar com ideias já consolidadas.

Interessante também entender o aspecto da globalização pelas quatro dimensões, pois isto é realmente o que se percebe hoje em dia na definição do indivíduo, ficou de fora ao autor arriscar quais destas dimensões seriam mais impactantes, o que ainda hoje seria difícil arriscar pois apesar da extrema valorização do individuo como cerne do liberalismo ainda se percebe como a identidade individual é ainda fortemente influenciada por instituições ou grupos sociais.

A previsibilidade da soberania ocidental após o fim do socialismo agora enfrenta uma nova variável de incerteza, o crescimento da economia chinesa, que apesar de muito menor influência tanto em termos econômicos quanto culturais começa a apresentar os seus primeiros passos e pode causar um novo balanço frente uma inflexão tecnológica.

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