Boaventura de Sousa Santos

Não existe Justiça Social sem Justiça Cognitiva Global.

“Temos formado conformistas incompetentes e precisamos de rebeldes competentes.” [Boaventura de Sousa Santos]

“O conhecimento científico não é distribuído igualmente, portanto suas mudanças tendem os grupos que a ele têm acesso.” [Boaventura de Sousa Santos]

Nascido em Coimbra, estudou em Berlim e Yale, sociólogo ativo e defensor por mais espaço aos movimentos cívicos e sociais fundou o Fórum Mundial Social, cujo objetivo é dar voz a grupos minoritários que não fazem parte da predominância neoliberal, principal responsável por moldar processo de globalização.

Baseado nas premissas de Émile Durkheim, quem propôs que a cultura de um grupo é resultado direto de seu conhecimento coletivo, e de Immanuel Wallerstain, quem destacou a desigualdade no sistema global, Boaventura destacou que o desequilíbrio global era resultado da diferença cultural, ou seja, da diferença de conhecimento entre os grupos de hegemônicos e subordinados.

Segundo o autor esta diferença é observada na exclusão e marginalização da cultura de outros povos rotulando as como primitiva, frágil ou equivocada. Seria necessário, portanto, assimilar tais culturas e dar a elas espaço de convivência com as demais aferindo-lhes uma importância similar ao invés do modelo atual hierárquico onde são vistas como inferiores.

No campo tecnológico o desequilíbrio é ainda maior, as conquistas do Norte sobre o Sul amparadas pelo avanço científico acabou por criar um único modelo correto de se fazer Ciência que garante a manutenção de poder, que é utilizada para suprimir outras formas de pensamento.

Boaventura destacou que a Ciência Moderna colonizou a cultura moderno de forma tão predominante que qualquer outra forma de pensamento é considerada irracional, um exemplo seria a visão de povos do Oriente Médio ou culturas minoritárias como bárbaros ou emotivos devido sua falta de racionalidade.

O combate a estas desigualdades e o direito de emancipação, coexistência e reconhecimento de todas as formas de cultura, segundo o autor, seria parte fundamental para diminuir a desigualdade global e assim explorar o que há de melhor em cada uma delas, sendo esta a missão do Fórum Social Global.

Exemplos explícitos da injustiça cognitiva podem ser encontrado na medicina global, onde métodos alternativos como Acupuntura, Ayurveda e uso de Florais são rotulados como não científico e portanto discriminados por grande parte da sociedade; e em alguns casos depois de muita luta aceitos como métodos alternativos ou complementares.

A relação entre Norte e Sul global, onde sociedades cientificamente mais  avançadas e detentoras de tecnologia dominam as menos industrializadas também são claras influências do nosso dia a dia. Pode-se destacar também, a subjugação de culturas locais, como as indígenas, que são subvalorizadas e acabam por se tornar indiferentes diante da grande maioria.

O mais interessante da proposta de Boaventura não consiste na luta para que estas culturas sejam aceitas como verdades, e sim de que elas sejam recebidas em sua totalidade sem discriminação ou subjugação, pois só assim o encontro cultural poderá ser explorado no seu melhor.

Poucas pessoas levariam seu filho doente a um Pajé ou Xamã, pois o desenvolvimento e avanço da medicina ocidental traz mais segurança, contudo isto não pode anular outros conhecimentos, pois muito pode ser aperfeiçoado e aprendido.

Do mesmo modo poucos Europeus se arriscariam a ir ao Brasil para um tratamento médico ou aperfeiçoamento científico, contudo sabemos que o Brasil é pioneiro em diversas áreas do conhecimento e possui excelência em diversos tratamentos médicos.

Em tempos de pandemia, o que mais se percebe é o uso do nome da Ciência para combater notícias falsas e atribuir credibilidade a afirmações ou pontos de vistas. Infelizmente isto ocorre em tempos onde se confronta a ciência não com a verdade, mas com afirmações ridícula que buscam o conflito para divergência e dominância política. Contudo não podemos esquecer de que a Ciência não anda de mãos dadas com a arrogância, o avanço científico sempre ocorreu através do questionamento da verdade e a coragem de explorar o diferente.

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