Ulrich Beck

Vivemos em um Mundo onde não se tem mais controle.

“Nem a Ciência, nem os políticos no poder estão em posição de definir ou controlar riscos racionalmente.” [Ulrich Beck]

“Vivemos um mundo onde a pobreza é hierárquica e a poluição é democrática.” [Ulrich Beck]

Alemão nascido em Stolp, agora Polônia, estudou sociologia na Universidade de Munique onde se tornou professor. Foi um dos mais influentes sociólogos da Europa, tendo escrito diversos textos e trabalhado ativamente no avanço de políticas tanto na Alemanha quanto Europa.

Ulrich Beck trouxe à tona a questão de que o Homem estava adentrando uma nova época, em que a sociedade até então ameaçada por desastres naturais ou ambientais, havia se colocado a mercê de riscos científicos e tecnológicos.

Problemas nucleares, químicos ou biotecnológicos são reflexos de um avanço que traz não só prosperidade, mas um novo leque de problemas impossíveis de resolver com as formações sociais existentes.

O autor mencionou três grandes consequências destes riscos, a primeiro consiste em um dano global tão grande que sua reparação seria impossível anulando qualquer conceito de seguro; a segunda consiste na impossibilidade da criação de medidas preventivas já que acabaríamos numa posição onde não seria possível retornar as condições iniciais; por fim problemas que não conhecem fronteiras e tempo afetariam múltiplas nações por períodos indeterminados.

Reforçou que o modelo tradicional para gerenciar riscos seria insuficiente para problemas do nosso século, tais como pandemias, vazões nucleares ou impactos de mudanças genéticas em alimentos ou animais.

Mencionou que tais riscos são percebidos ambiguamente pela sociedade, que os enxerga como algo real e preocupante, mas ao mesmo tempo longe e improváveis, tendo como resultado a postergação nas ações que visam entendê-los, mitigá-los ou traçar planos de contingência. Ressaltou que se aprofundar nestes riscos é um trabalho vital, pois muito deles são imperceptíveis até que aconteçam.

O sociólogo apontou que a imprensa e ONGs se retroalimentam num processo em que riscos são expostos e alavancam atenção dos leitores colocando pressão em corporações e governos, muitas vezes de forma sensacionalista, contudo isto era visto de forma positiva pois abria o debate público.

Também lembrou que estes novos riscos não enxergam desigualdade financeira e, portanto, não são resolvidos com dinheiro, reforçou a ideia de que ao “exportar” muitos deles a países pobres ou em desenvolvimento – como por exemplo transferindo fábricas e poluindo países menos favorecidos) – apenas se adia o efeito boomerang de todas as consequências.

Apesar de alarmante e catastrófico, o estudioso relembra os pontos positivos de tais riscos, pois ele aproxima o Mundo para uma unidade Global, o avanço na solução de problemas através do esforço coletivo e a atenção dada pela mídia em como a pobreza e desigualdade tornam as catástrofes ainda piores. Esta comoção e unidade para combater os problemas também traz a união de opostos, como em casos em que ambientalistas se uniram a indústrias para exigir medidas governamentais.

Ainda segundo o autor um dos maiores riscos de nossa época consiste no mercado financeiro, extremamente alavancado e globalizado, cujos efeitos colaterais são sentidos e rapidamente alastrados mundialmente. Não coincidentemente seus estudos têm sido utilizados como plataforma para entender impacto de crises financeiras bem como para organizar soluções e modelos de trabalho com escopo mundial.

A pandemia do COVID19 é o retrato do que o autor descreveu 20 anos antes, a ineficiência e despreparo científico em resolver o problema ficou escancarado e os três modelos de reações governamentais que passam pelo negacionismo, apatia e/ou transformação ficou ainda mais evidente.

Pior que a falta de preparo para uma pandemia, foi a falta de preparo organizacional para conter problemas globais. O resultado é gritante e mostra como prejuízo é muito maior do que o custo em se ter investido em tais mecanismos anteriormente, resta saber se da experiência teremos algum aprendizado.

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