Arjun Appadurai

Sociedades distintas se apropriam dos bens materiais diferentemente.

“A visão de comunidade de um Homem pode ser a prisão política de outro.” [Arjun Appadurai]

“A nova ordem cultural e econômica global deve ser entendida como uma complexa teia que se sobrepões e ao mesmo tempo são distintas.” [Arjun Appadurai]

Nascido em Mumbai, se mudou para os EUA para estudar e construiu sua carreira como professor. É fundador da PUKAR e Public Culture, ambas organizações que visam promover a interdisciplinaridade no estudo da Globalização e Urbanização.

Apesar de visto majoritariamente como um movimento de unicidade econômica, a globalização vai muito além promovendo o choque cultural e social. Enquanto estudiosos apostavam na globalização direcionando o mundo para dois possíveis resultados: homogeneidade global ou mais diversidade devido ao choque de incompatibilidades, Arjun Appadurai percebeu que o efeito colateral não seria nem um nem outro, e que cada sociedade seria impactada diferentemente.

Segundo o autor a globalização não se move de forma uniforme e países a absorve de forma distinta, como por exemplo a China que adotou rapidamente a parte comercial e industrial, porém pouco alterou os costumes culturais e políticos. Também percebeu que o conceito de Estado Nação estava sendo alterado pelo de translocalidades, que constitui em uma mistura cultural modelado pelo choque das diferentes culturas externas com a local.

Para vislumbrar os impactos é preciso entender que o Homem vive um mundo imaginário e não o real onde a imaginação percebia a globalização em cinco dimensões: étnica, mídia, tecnológica, financeira e ideológica, todas elas bem distintas da dimensão física impostas pelas fronteiras ou países.

Ainda segundo o autor estas dimensões poderiam ser combinadas ou até mesmo se contradizer dando diversas facetas para a globalização. Tais dimensões também poderiam se alterar com o passar dos anos, daí a necessidade em revisitá-las.

A dimensão étnica era percebida na imigração da mão de obra buscando condições melhores de vida ou até mesmo o turismo. A dimensão midiática consiste em como a informação é difundida através de jornais, cinemas e redes sociais que acabam por modelar como as pessoas enxergam o mundo. A dimensão tecnológica se concretiza na aplicação desta para distorcer limites físicos, seja na terceirização de call centers, vídeos conferências ou criação de armas.

A dimensão financeira está ligada ao rápido fluxo de capitais e investimentos enquanto a dimensão ideológica consiste na propagação de percepções que tentam dominar o debate político local.

Todas as dimensões eram percebidas diferentemente por cada sociedade. Sendo possível, por exemplo, perceber que muitas sociedades viam com bons olhos o avanço financeiro resultante da globalização, contudo era preocupado com as questões de migração, num claro conflito entre dimensão financeira e étnica.

Um outro exemplo consiste em sociedades que apoiam o multiculturalismo étnico, mas é preocupado com o aumento nos preços dos imóveis devido a imigração de mão-de-obra qualificada.

O autor finalizou afirmando que a globalização não é um processo coerente nem uniforme, e sim algo fluído que ocorre em diversas camadas, cada qual em uma velocidade distinta ou em alguns casos até mesmo em sentidos opostos. E que todos esta mistura iria causar uma vasta possibilidade de novas comunidades, onde o processo de globalização é única e exclusivamente resultado da percepção e imaginação de quem passa por ele.

É interessante perceber o impacto das mudanças globais nos diversos países bem como as diferenças em cada um deles. A angústia, retratado nas capas dos jornais locais, nem de longe representam a situação real.

O Brasil, por exemplo, é um importador das várias dimensões, com pouca influência no mundo, também é um país com baixo fluxo de imigrantes considerando as últimas décadas, sendo bem mais caracterizado por “exportar” pessoas buscando uma vida melhor. Ou seja, o brasileiro “sofre” com a falta de possibilidade de se inserir no mercado de consumo global, enquanto vê fortes injeções de capitais e progresso tecnológico.

Já o Europeu é grande exportador das dimensões tecnológicas e financeiras enquanto a angústia de que sua cultura está sendo erodida pelo processo migratório causa desconforto e medo.

Como bem ressaltado por Zygmunt Bauman, na modernidade líquida, o mundo abrirá portas para os Turistas – pessoas com mobilidade de emprego e cultura – que acaba por reduzir a oportunidade para os Vagabundos – pessoas restringidas a suas localidades. Estamos falando de um novo tipo de desigualdade, a um tipo ao qual não estamos acostumados. Estamos falando do sentimento de se ver em condições piores quando comparado a alguém que costumeiramente, através da propaganda, é retratado como de uma sociedade inferior.

Afinal de contas uma coisa é perder seu emprego e sua oportunidade de uma vida melhor para um vizinho mais bem instruído, outra é perdê-la para alguém que em muitos casos mal dominam a própria língua. É ver aquele homem ou mulher bonita formando família e sendo feliz com alguém de outra raça enquanto você não encontra o parceiro encantado. É ver alguém que louva um outro Deus ser abençoado enquanto sua família passa por dificuldades

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