Cultura e Identidade

A minha religião é o Capitalismo.

“Nós sabemos o que somos, mas não o que poderíamos ter sido.” [William Shakespeare]

“Você não é seu trabalho, o dinheiro na sua conta. Você não é seu carro ou que você tem em sua carteira. Você não é a sua merda de calça caqui.” [Chuck Palahniuk, Clube da Luta]

A coesão social sempre foi uma consequência do compartilhamento de crenças, valores e experiências vividas por uma comunidade, e apesar desta cultura ter sido alterada drasticamente com a revolução industrial e a criação dos grandes centros urbanos seu estudo foi aprofundado apenas no século XX, tendo se juntado a psicologia e antropologia.

Surgiu então uma linha de pensamento argumentando que o senso de identidade só era possível devido a existência de grupos sociais, ou seja, a identidade só poderia ser formada da interação com outros. Teoria esta que se expandiu para o estudo de problemas psicológicos individuais como um reflexo de problemas sociais, já que ao tentar se conectar e adaptar a sociedade e culturas distintas o indivíduo se via comprometendo seu verdadeiro “Eu”.

Houve também uma vertente de estudo que focou em como culturas hegemônicas se impõe sobre outras culturas e indivíduos de forma contundente. Como resultado desenvolveu-se teorias de como a cultura hegemônica pode e é utilizada para estabelecer controle social de massa através de normas difíceis de serem quebradas.

Alguns autores notaram que com o aumento do fluxo de informação a cultura passou a ser algo volátil e desconexo da sociedade, tornou-se muito mais um processo ilusório do que concreto, puxando cada vez mais o Homem a margem da realidade.

Indo além sociólogos começaram observar que a cultura baseada em crenças e tradições estava sendo substituída por uma baseada em meios de produção e consumo, ou seja, você não pertence mais a cultura de onde nasce, mas sim se torna membro de uma cultura baseado no que você produz e consome, tanto quanto a bem materiais e tangíveis quanto a serviços coletivos ou até mesmo arte.

Atualmente autores estão estudando o impacto da mobilidade urbana global, onde a mistura de etnias, classes e nacionalidades está criando uma classe de pessoas “sem cultura”, onde qualquer traço de pertencimento é ilusório devido a temporariedade. Isto é, tentando adivinhar qual o futuro do individuo em um mundo onde não se existe valores a compartilhar, onde não se existe traços comuns de crenças, valores e comunidade.

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