George Herbert Mead

O “Eu” e o “Mim”.

“A mente não poderia ter encontrado expressão ou existência sem uma interação com o ambiente social.” [G. H. Mead]

“Sociedade é a unidade na diversidade.” [G. H. Mead]

Nascido em Massachusetts mudou-se para Ohio ainda criança devido ao trabalho religioso do Pai, se graduou em Artes e atuou por alguns anos na iniciativa privada até se especializar em Psicologia e Sociologia por Harvard. Foi ativista dos direitos humanos tendo apoiado, por exemplo, o sufrágio do voto feminino.

G. H. Mead mudou a forma como especialista enxergavam o cerne do desenvolvimento pessoal. Enquanto se existia um consenso de que a sociedade era formada pela interação do conjunto de indivíduos autônomos, Mead propôs que o oposto era verdade, ou seja, as pessoas eram na verdade o resultado de sua interação com a sociedade.

Na perspectiva do autor, a consciência individual bem como seus anseios e desejos, eram na verdade um reflexo de suas interações sociais, o contato com a linguagem e a cultura vigente. Os bebês por exemplo aprendem a interagem copiando práticas e gestos, palavras e culturas no ambiente ao qual estão inseridos, para a partir daí criar suas próprias convicções e uma visão do mundo.

O indivíduo, portanto, acaba por desenvolver duas capacidades: o “Mim” que vem da interação com o ambiente social e o “Eu”, que baseado no primeiro permite a consciência própria, ou as escolhas de maior conveniência. Ambos “Eu” e “Mim” são dinâmicos e desenvolve com o passar do tempo, o que permite ao indivíduo se modelar e adaptar ao meio onde está inserido, e em alguns casos até mesmo se contradizer com experiências passadas.

A visão do autor realmente traz uma reflexão, é óbvio que sem a existência do indivíduo não existe a sociedade, mas seria o desenvolvimento individual algo inerente de si ou do ambiente onde se vive?

Para se ter uma ideia, existem estudos que mostram que línguas mais primitivas, e que não possuem conjugação verbal, limitam a inteligência de sua população. Imagine viver em uma sociedade onde não é possível expressar o passado ou o futuro como língua; seríamos capazes de aprender com a história ou projetar o futuro?

Muito pouco provável que sem o contato social mais complexo e interativo desenvolveríamos a linguagem, que não apenas é grande influenciadora em nossa capacidade de comunicação como também é o que utilizamos para reflexão (conversar com nós mesmos) e é o cerne do processo criativo.

A inteligência humana é resultado direto da complexidade e diversidade do ambiente onde se vive, ambientes homogêneos e de menor conflito requer menos interação social, enquanto ambientes heterogêneos e conflitantes requer interações sociais mais complexas que por sua vez demandam linguagem e comunicação mais efetiva, componentes básicos para o avanço intelectual. Debater e se abrir para o novo, não é uma questão moral, é uma questão de evolução da espécie.

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