Antonio Gramsci

O desafio está em se ver livre das ilusões sem se tornar desiludido.

“Todos os Homens possuem intelecto, mas nem todos possuem papel de intelectual.” [Antonio Gramsci]

“O Homem é acima de tudo consciência, portanto produto da História e não da Natureza.” [Antonio Gramsci]

Nascido na Itália em 1891, fundou o Partido Comunista do qual se tornou líder. Com a ascensão de Mussolini e o Fascismo foi condenado a prisão por mais de 20 anos, onde escreveu boa parte de seu trabalho.

Na visão Marxista a sociedade era o resultado do conflito entre uma elite minoritária dominante e uma grande massa de classe trabalhadora, conflito este que acabaria por acarretar uma revolução proletária.

Antonio Gramsci foi quem explicou por que a tão esperada revolução demorava por vir mesmo diante das diversas crises vivenciadas. Segundo o autor a ordem social era mantida não pela opressão da classe dominante e sim por uma subjugação ideológica onde a visão desta seria a única propagada, ao se tornar o senso comum com pouca contestação este pensamento e suas consequentes ações se tornava tão predominante que foi batizado de cultura hegemônica.

A hegemonia cultural consistia no processo em que a elite transforma em verdades suas visões, valores, ideias e crenças não apenas ditando como a sociedade deve ser, mas também no que um dia pode se tornar. Sua propagação dependia fortemente do consentimento da classe sendo dominada e do amparo intelectual de grupos a serviço desta mesma elite.

Afirmou que por possuir pensamento crítico, a sociedade formaria grupos alternativos capazes de questionar o pensamento hegemônico em um movimento de contrabalanço, que poderia ganhar força com crises mais longas, contudo tais movimentos dificilmente perdurariam devido aos conflitos internos da própria classe dominada.

Hegemonia cultural é geralmente utilizado por pensadores de esquerda, contudo não se trata de uma posição política entre esquerda ou direita. O domínio cultural é uma ferramenta que pode ser utilizada em contextos diferentes para propósitos distintos, um exemplo atual está no liberalismo dentro da cultura Ocidental, mas ela também foi utilizada pelos Estados socialistas durante a guerra fria ou na China atualmente.

É necessário a consciência de que nossos desejos e ideias não são algo original e intrínseco da nossa existência, grande parte são na verdade resultado de uma construção cultural. A casa grande, o carro novo, o cargo melhor, a graduação, se tornar rico nada mais são que uma inércia de crenças e costumes que nos é imposta desde que nascemos.

 Entender a cultura hegemônica não é importante apenas para denunciar o abuso de poder, é parte essencial do processo de autoconhecimento. É o que traria o bom senso e entendimento de que não se deve fazer protestos apoiando o governo retire seus próprios direitos, algo que ficou caricaturizado pelo movimento a favor reforma previdenciária “seletiva” que ocorreu no Brasil.

Importante ressaltar que nem todos os intelectuais propagam o pensamento dominante por troca direta de dinheiro ou favores, muitos os fazem pois este é o meio de obter sucesso individual ou simplesmente um emprego melhor. Este movimento pode ser identificado em diversos perfis de redes sociais ou canais do youtube, que se tornaram o principal meio de propaganda em uma economia digital.

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