Herbert Marcuse

Cultura de massa reforça a política de repressão.

“A cultura está se tornando uma parte do shopping center.” [Herbert Marcuse]

“Liberdade intelectual pressupõe restauração do pensamento individual, atualmente absorvido pela comunicação de massa e doutrinação.” [Herbert Marcuse]

Nascido em Berlim, serviu o exército alemão da Primeira Guerra. Doutorou-se em literatura pela Universidade de Freiburg, posteriormente estudou Filosofia e mudou-se para os Estados Unidos onde se tornou professor, teórico e ativista político.

A revolução proletária pregada por Marx se tornava cada vez mais improvável com o passar do tempo. Herbert Marcuse buscou entender os motivos para tal e concluiu que o Capitalismo havia na verdade integrado todos os trabalhadores em torno do pensamento dominante através do reforço da individualidade, que destruía a força dos grupos e minimizava qualquer revira volta.

O processo de individualização se deu quando os trabalhadores, antes “amarrados” aos donos de terra, agora se viam com a liberdade de escolher o emprego ao qual iriam se dedicar e os produtos aos quais iria consumir.

No entanto, tudo não passava de uma farsa, pois o que ocorria de fato é que as pessoas trabalhavam cada vez mais em busca de uma liberdade que não as delas, e sim àquelas concebidas, moldadas e criadas pelo regime vigente. As pessoas não eram livres, elas na verdade estavam sendo manipuladas para que assim se sentisse.

O governo era o aparato que suportava a criação de necessidades artificiais, estas então responsável por manter todos ocupados em busca de satisfazê-las para que no final se sintam livres. Estes novos desejos se descolaram das necessidades básicas como a de comer e vestir e se tornaram cada vez mais abstratas como a necessidade de ser feliz ou relaxar.

O segredo para manipulação estava no bombardeio em massa que nos coloca em uma bolha sem alternativas e sem escapatória. Até mesmo a arte, responsável por denunciar e transcender o “status quo” agora se via a ele atrelado, uma vez que esta havia sido englobada pelos conglomerados midiáticos responsáveis pela mídia de massa.

Outro fator importante para a falta de indignação estava no fato de que o modelo econômico havia se tornado tão plural, que praticamente qualquer pessoa com qualquer estilo de vida conseguia nele se encaixar enquanto os deslocados eram tão poucos que passaram a ser vistos como loucos ou neuróticos.

Clássicos que descreviam personagens revolucionários passaram a ser consumidos como romance, exemplos de empoderamento para o trabalho ou momentos de lazer para relaxar. Qualquer visão de mundo alternativo havia sido abafada, e as gerações passariam a cultura vigente que seria reforçada pela comunicação em massa permanentemente.

O jogo poderia mudar a qualquer momento com o surgimento de novos aparatos tecnológicos que influencia a comunicação, contudo seria mais provável o uso para ampliar ainda mais a dominação e o alinhamento cultural entre as diversas classes, uma vez que o alinhamento de expectativas reduz os conflitos pois a existe uma comunalidade nos desejos.

As observações de Herbert Marcuse podem ser vistas como uma especialização, ou particularização da hegemonia cultural citada por Antonio Gramsci. Neste caso, o modelo pelo qual o sistema capitalista cria uma cultura dominante que acaba por empurrar todos a mesma direção.

Apesar do erro na previsão da revolução proletária, a concentração de Capital e poder como descrito por Marx avança a passos largos, e ao olhar para o setor de comunicação em massa e propaganda ele é ainda mais evidente.

Apesar de termos um modelo descentralizado onde cada qual pode se tornar um anunciante, novidade que pode ser validada nos milhares de influencers nas mais diversas plataformas digitais, a verdade é que a concentração tecnológica e de renda estão nas mãos de grupos cada vez mais restritos e poderosos.  O conflito burguês devido a disputa e concentração do capital também é ilustrado na disputa entre Facebook e as mídias tradicionais australianas quanto a remuneração no compartilhamento de notícias.

Finalmente, apesar de termos diversas plataformas digitais para criação e disseminação de conteúdo em massa, ao invés de vermos florescer diversidade de opiniões e ponto de vista, na verdade o que mais se percebe é a polarização através da dicotomia e não da pluralidade de ideias e algo muito novo que está na disseminação da desinformação. Vicemos a massificação do comportamento de consumo e propaganda de massa

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