Erving Goffman

Estigmatizar é desacreditar alguém profundamente.

“A pessoas estigmatizada não se sente segura em como a sociedade irá recebê-la.” [Erving Goffman]

“Estigmatizar um atributo, geralmente, implica em favorecer outro.” [Erving Goffman]

Nascido no Canadá, filho de imigrantes Ucranianos judeus se formou em Antropologia e Sociologia, posteriormente se doutorou pela Universidade de Chicago e foi presidente da Associação Americana de Sociologia.

Erving Goffman seguia uma vertente de estudo sociológico que acreditava que a identidade individual provinha das micro interações social com a qual o indivíduo se relacionava, e não pelas características inatas ou relações macrossociais que em muitos casos impessoais.

Portanto, como o indivíduo se via, se imaginava ou até mesmo quem poderia se tornar era um resultado direto das pessoas com quem interagia ou o ambiente em que habitava. Este ambiente social, por sua vez, possuía normas e regras e quem se desviasse delas era estigmatizado, ou seja, rotulado negativamente e marginalizado do grupo “normal”.

No contexto social o indivíduo acabava por interpretar duas identidades, uma pública denominada virtual e outra privada denominada atual. O estigma era uma consequência, do desvio entre estas duas identidades, e afetava personagens diferentemente. Por exemplo um médico alcoólatra era estigmatizado distintamente de um trabalhador rural também afetado pelo alcoolismo.

Ainda, segundo o autor, a estigmatização ocorria através de um processo ao decorrer do tempo pelo grupo “normal” contra o indivíduo, que por sua vez pode vir a repetir o comportamento até que assume definitivamente o perfil estigmatizado.

Estigmas podem ser utilizados para atributos distintos, contudo em sua grande maioria se referem a deformidades físicas, comportamentos considerados inadequados ou por questões raciais e étnicas. Independente do tipo de atributo, o indivíduo estigmatizado tende a mudar seu comportamento pessoal de modo a compensá-lo, por exemplo uma pessoa careca que compra perucas, ou diante da impossibilidade alterar outros comportamentos, como se tornar mais amigável ou submisso

Indivíduos estigmatizados, também, tendem-se a desconectar do grupo “normal” escolhendo uma ou mais de três vias: a primeira consiste em buscar grupos com o mesmo estigma, a segunda em se mover para grupos sociais onde seu estigma é mais bem suportado e por fim se relacionar com pessoas que são empáticas a seus estigmas.

Os estudos de Erving Goffman são aplicados no tratamento psicológico e sociológico de pessoas estigmatizadas e discriminadas. Tendo sido utilizado amplamente no combate discriminatório contra as pessoas portadoras do vírus HIV e grupos culturalmente minoritários.

De uma forma simples, o estigma está para os adultos, assim com o bullying está para as crianças e adolescentes. Naturalmente ambos são nocivos para o individuo e certamente devem ser combatidos deforma distinta, uma vez que do comportamento adulto não se espera imaturidade. Seria isto um estigma?

Interessante o ponto em que se afirma como o indivíduo estigmatizado tenta se remodelar, se percebe em constante autoavaliação e se enxerga em desvantagem. O estigma certamente potencializa a ansiedade e pressão da vida moderna, não atoa tem consequência a busca de grupos sociais mais empáticos, mesmo que isto implique em sair de seu local natural de origem.

Daí vem a importância de lideranças institucionais. De líderes comunitários, passando por diretores e reitores de escolas, líderes religiosos e claro lideranças políticas, uma sociedade mais empática absorve melhor as diferenças e poupa o indivíduo de pressões desnecessárias.

Um exemplo bem claro é percebido como o homossexualismo é em encarado, com certeza ainda existe o preconceito, mas é fácil perceber que em países Europeus um homossexual pode viver sua vida com menor atrito social. O homofóbico é estigmatizado e não o homossexual.

Não podemos deixar de fora também o impacto das organizações privadas neste aspecto, promover a adversidade cultural e deixar claro para seus colaboradores que o estigma é inaceitável fazem parte de uma política extremamente importante. Parabéns extra aos líderes que vão além e promovem a empatia e inclusão mesmo quando tal política exige maior investimento.

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