Jean Baudrillard

Vivemos um mundo com muita informação e pouco significado.

“A era da simulação começa com o fim das referências e a ressureição do artificial através de um sistema de sinais.” [Jean Baudrillard]

“Todas as sociedades acabam por usarem máscaras.” [Jean Baudrillard]

Proveniente de pais humildes foi o primeiro da família a obter uma graduação. Estudou em Sorbonne e se tornou professor de sociologia da Universidade de Paris. Pensador de esquerda, rompeu com o marxismo na década de 70 contudo manteve o ativismo político por toda vida.

Jean Baudrillard anunciou o século XX como sendo o fim do mundo, não porque o mundo em si acabara, mas porque a realidade deixaria de existir uma vez que toda representação da verdade seria reproduzida por grandes empresas de mídia e com o único propósito de estimular o consumo.

A realidade havia deixado de ser o que realmente aconteceu no mundo físico, e passava a se tornar o que era reproduzido ou simulado, a representação não mais seguia a realidade, e sim o oposto, a realidade começava a seguir o que era reproduzido.

Uma das consequências da realidade reproduzida consistiria nos fatos de que as pessoas fariam de sua vida um acúmulo de espetáculos ao invés de uma sequência de fatos. As pessoas viriam a preferir serem espectadores dos bons momentos reproduzidos de forma idealizada, do que viver e relembrar o que de fato aconteceu.

A era do marketing e propaganda simplesmente acabaria com a essência do que consumimos, trazendo toda a importância para como o produto é anunciado. Em outras palavras, não interessa mais o que o produto ou serviço é de fato, mas sim como seu valor é reproduzido e percebido.

Para o autor, o avanço tecnológico estava tão consistente, que a reprodução nem mais precisava se basear na realidade. Modelos e figuras totalmente virtuais podiam ser criados com tanta perfeição que passavam a ser considerados verdadeiros. Este conjunto visual foi o que o autor chamou de Simulacrum.

Uma das forças da simulação consistia no fato de que elas podiam ser criadas de modo a serem mais satisfatória para a sociedade, o que nos levaria a abandonar de vez a realidade. A era artificial que ocorreria durante o século XXI nos levaria a viver uma utopia virtual, preferindo está a uma vida real medíocre.

As pessoas não mais buscariam experiências reais e verdadeiras, pois as reproduções hiper-reais seria mais satisfatórias. Cidadãos não viveriam suas vidas, ao invés disso prefeririam se tornar espectadoras de vidas mais interessantes, mesmo que sabidamente reproduzidas artificialmente, uma vez que este artificial seria mais divertido, rico e interessante.

O autor também estudou o efeito do excesso de informação e a grande complexidade que isto nos acarreta. Em sua visão o volume era tão grande e impossível de absorver que a capacidade de ler e compreender a realidade havia se perdido, tal complexidade estava abrindo espaço para que grandes canais de mídia recompilassem e reproduzissem estas informações de modo simples, e neste processo acabavam por incluir o que lhes interessava tendo como consequência uma visão distorcida da verdade.

Sensacional! O Ser Humano é um grande contador de histórias, e quanto melhor for mais longe ela se propaga. Misturar este “vício” quase que “fisiológico” com uma vida cotidiana, repetitiva e sem graça, cujo pano de fundo para o “escape” é uma fantasia cuidadosamente moldada e bem anunciada haveria de nos levar a uma vida de espectador.

Que percepção teve o autor, e como suas conclusões “casam” com o mundo em que já vivemos, ainda no início do século. As mudanças que estão por vir depois de anos de pandemia podem ser ainda mais fortes e consistentes, restando para nós como resgatar o prazer no medíocre ou normal da realidade ao invés de nos descolarmos dela em busca da fantasia artificial, que agora já sabemos também será digital.

As grandes plataformas de anúncio e a tara por dados não são apenas meios para atingirem o consumidor, elas darão a seus detentores o controle do que será a próxima realidade, mesmo que conscientemente seja resultado de algo artificialmente reproduzido. E isto talvez esteja longe de ser uma previsão, é algo cujos impactos já são percebidos.

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