Thorstein Veblen

O consumo por status.

“Ser rico se tornou intrinsicamente honorável.” [Thorstein Veblen]

“As pessoas tendem a querer destacar em uma posição para ganhar autoestima e causar inveja.” [Thorstein Veblan]

Nascido nos EUA estudou economia em Hopkins e Yale. Apesar de uma carreira pouco promissora devido a seu comportamento “desvirtuado” para com a religiosidade e o matrimônio ficou reconhecido por unir sociologia e economia ao analisar o comportamento das classes sociais econômicas.

Thorstein Veblen estudou o comportamento das diferentes classes de uma sociedade capitalista enquanto consumidores. Similarmente a Marx definiu duas classes na formação social, contudo diferentemente as nomeou de classe industrial e classe de lazer. Enquanto a primeira consistia na maior parte da população e era formada pelas pessoas que realizam os trabalhos produtivos em si a segunda era uma pequena parcela e era formada por donos de negócio, funcionários de alto escalão e burocratas.

Para o autor a classe de lazer além de não produzir nada, tinham um comportamento predatório por impedir avanços em progressos sociais e construir sua riqueza manipulando e estimulando a competividade entre os trabalhadores.

Cunhou o termo consumo conspícuo para descrever o consumo que não ajuda o Homem a se tornar uma espécie melhor seja no âmbito fisiológico ou social, ou seja, é o consumo de produtos de forma fútil apenas buscando reconhecimento social, ou como demonstração de poder e riqueza.

Os principais exemplos estavam na aquisição de produtos luxuosos, cujo objetivo seria impressionar outros ao invés de executar melhor sua atividade fim, como por exemplo adquirir um carro luxuoso pagando um preço muito acima de um carro normal não porque ele possui algum benefício na locomoção em si.

Mencionou também o lazer conspícuo que consistia em realizar atividades sem ganhos produtivos ou sociais, como por exemplo viajar para lugares exóticos com o intuito de aumentar seu prestígio social e pretender ter um vasto conhecimento do mundo.

Para o economista ambos consumo e lazer conspícuos eram prejudiciais uma vez que desperdiçava matéria prima finita além de gerar lixo desnecessário. E principalmente por criar uma emulação financeira capaz de induzir conscientemente e inconscientemente na classe trabalhadora, o desejo de adquirir tais produtos e serviços apenas para se sentirem mais próximo dos seus pares “superiores”. Esta emulação, quando aplicada em massa geraria enorme desperdício podendo trazer problemas não apenas sociais, mas também ambientais.

A sociedade passaria a buscar afirmação não em sua capacidade produtiva ou criativa e sim no status dos produtos que consomem ou sua situação financeira, as pessoas seriam julgadas como boas ou más com base no que se tem em sua posse e na sua conta bancária.

O autor nomeou as pessoas que buscavam esta migração de classe industrial para a de lazer através do consumo de “novos ricos”, ressaltando que tais pessoas eram ainda mais alienadas à vida ao buscar a equiparação através do consumo, pois muitas vezes sacrificavam o essencial para aparentarem serem algo que não são e em muitos casos até financiavam tal consumo pois não possuíam meios financeiros próprios para tal.

Grande parte das teorias de Veblen são de seu livro de 1899, The Theory of the Leisure Class, e desde então suas obras passaram por algumas críticas, grande parte deles devido a simplicidade e rigidez como dividiu as classes de trabalhadores ou o consumo conspícuo. Apesar do mundo ter mudado desde então e da inexistência clara de tal divisão é perceptível que o consumo por status nunca esteve tão alto, assim como o dinheiro como medida de todas as coisas, inclusive de caráter.

Certa vez comentei com um amigo que darwinismo morreu para o Homem depois que inventaram o dinheiro, não no sentido literal, mas no sentido que o dinheiro causa grande disformidade e desigualdade ao que é natural. Dinheiro virou sinônimo de inteligência através da mão livre do mercado, capacidade produtiva através da tecnologia, bondade através da filantropia, paternidade e maternidade através dos momentos mágicos com os filhos, cultura através das viagens inesquecíveis.

Não é uma questão de poder ou não usufruir do que se ganha e tem, afinal somos livres. Tampouco nos negar momentos de lazer e ócio com a cansativa jornada de trabalho seja braçal ou intelectual. Afinal de contas qual o problema em comprar um carro mais confortável?

O problema está no bias em achar que o mais caro é melhor; que é mais culto e sábio quem viaja mais; que dinheiro é sempre resultado de trabalho produtivo, criativo e intelectual; que faz mais bondade quem doa mais dinheiro. Está em pensar que a vida só começará a valer a pena depois de certo montante e principalmente, em criar como referência e norte a ser alcançado um volume de dinheiro, em se achar melhor e mais esperto porque tem mais dígitos na conta corrente.

O dinheiro, intrinsecamente uma ferramenta social, ao invés de ser utilizado para seu principal propósito: investimento e transação; está se tornando na verdade um triturador da busca pelo que se é “belo” (no sentido grego), sem deixar escapar nada, da poesia a ciência passando pelas artes, da religiosidade a espiritualidade passando pelo relacionamento com a natureza, do individual as massas passando pelos relacionamentos interpessoais.

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